domingo, 29 de março de 2026

O Menino Que Sonhou Ser Um Soldado

 Lucivânio Correia 







Menino que é menino

Sonha desde o seu nascer

Cresce sonhando em crescer

Para não ser pequenino

E às vezes o seu destino

Prestando muita atenção

Por amor ou compaixão

Transforma o sonho sonhado

E o sonho realizado

Às vezes é profissão


Sinais do tempo ou não

Me lembro eu era criança

Já fazia a segurança

Brinquei, polícia e ladrão

Eu não era o capitão

Mas servia dedicado

Prendia os cabra safado

Que se metia a gabola

No pátio da minha escola

Eu brinquei de ser Soldado


Bem na hora do recreio

A turma se dividia

Os guri e as guria

Brincando sem ter receio

E eu ali naquele meio

Já queria ser polícia

Outros formavam milícia

E a vida se transformava

Meia hora nós brincava

Sem maldade nem malícia


E naquela brincadeira

Que a gente se envolvia

O sino nem se ouvia

Pra voltar para a cadeira

Às vezes a turma inteira

Se achava em divertimento

E por um breve momento

Cada um de nós reinava

E o pátio representava

Bem mais que um destacamento


Mas a vida em que eu brincava

Foi perdendo a fantasia

E conforme eu crescia

Mais ela se transformava

Dia a dia eu rumava

Para a vida de guerreiro

O tempo que é rotineiro

Ia ali se repetindo

E eu seguindo e seguindo

Ao meu destino altaneiro


O tempo passou ligeiro

Cheguei à maioridade

Sem muita maturidade

Fui infante verdadeiro

No Exército Brasileiro

Me vi uniformizado

Com meu coturno engraxado

Calça, camisa e gandola

O TG, mais uma escola

E eu de novo era Soldado


E quando eu me vi fardado

A servir à mãe gentil

Eu me vi homem viril

Com meu traje camuflado

O serviço é obrigado

Mas eu servi porque quis

No TG eu fui feliz

Lá eu fui um voluntário

Fez parte do itinerário

Servir ao nosso país


Aquele que tem raiz

Se destina ao crescimento

E em um dado momento

Enriquece sua matriz

E foi assim que eu fiz

Fui no concurso aprovado

No Demutran fui formado

Para o trânsito vigiar

Nas ruas do meu lugar

Eu voltei a ser soldado


Naquela diária luta

“Soldadiei” dia a dia

Quando o apito tinia

Era o início da labuta

Com minha boa conduta

Dos parceiros tive aprovo

E eu batalhava de novo

Na capital do romeiro

Nas ruas de Juazeiro

Fui soldado do meu povo


O tempo correu de novo

Chegou o dois mil e sete

Eu não era mais pivete

Quebrei a casca do ovo

Parti deixando meu povo

Sem achar isso engraçado

Mas também não fui forçado

E nem fui pra Curitiba

Eu fui foi pra Paraíba

E lá me formei Soldado


Eu agora era polícia

Policial de verdade

Já tinha capacidade

E a atitude propícia

Mas quando ouvi a notícia

Novo concurso virá

Decidi voltar pra cá

Servir em novas fileiras

Dei adeus a Cajazeiras

E voltei ao Ceará


É que bateu a saudade

Da minha terra querida

Remexi de novo a vida

E regressei à cidade

No limite da idade

Mais de trinta é dispensado

Estudei fui aprovado

Na Polícia Militar

E à terra de Alencar

Eu servi como Soldado


Dois mil e nove era o ano

Quando a farda renovei

Para casa regressei

Refazendo cada plano

Mas voltei a ser paisano

Sem deixar a segurança

Do meu sonho de criança

Eu continuei no curso

Venci em mais um concurso

Renovei a esperança


No peito é o distintivo

Que me faz a distinção

Nova instituição

Com um velho objetivo

Eu me mantenho ativo

Combatendo o que for vil

Servindo sem ser servil

O bom combate eu combato

Por que de direito e fato

Sou Policial Civil


A história continua

Pois a vida ainda vive

A criança sobrevive

No sonho que perpetua

O sonhar me conceitua

Como um sodado latente

Oculto, porém presente

E ainda em construção

Soldado sem batalhão

Sem capitão nem tenente


Soldado enquanto patente

Eu sei que deixei de ser

Mas quem luta quer vencer

Mesmo não sendo um valente

Eu era um pingo de gente

Soldado idealizado

Do sonho realizado

Ficou a satisfação

Também a convicção

Que sou eterno Soldado

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O Menino Que Sonhou Ser Um Soldado

 Lucivânio Correia  Menino que é menino Sonha desde o seu nascer Cresce sonhando em crescer Para não ser pequenino E às vezes o seu destino ...