Lucivânio Correia
Menino que é menino
Sonha desde o seu nascer
Cresce sonhando em crescer
Para não ser pequenino
E às vezes o seu destino
Prestando muita atenção
Por amor ou compaixão
Transforma o sonho sonhado
E o sonho realizado
Às vezes é profissão
Sinais do tempo ou não
Me lembro eu era criança
Já fazia a segurança
Brinquei, polícia e ladrão
Eu não era o capitão
Mas servia dedicado
Prendia os cabra safado
Que se metia a gabola
No pátio da minha escola
Eu brinquei de ser Soldado
Bem na hora do recreio
A turma se dividia
Os guri e as guria
Brincando sem ter receio
E eu ali naquele meio
Já queria ser polícia
Outros formavam milícia
E a vida se transformava
Meia hora nós brincava
Sem maldade nem malícia
E naquela brincadeira
Que a gente se envolvia
O sino nem se ouvia
Pra voltar para a cadeira
Às vezes a turma inteira
Se achava em divertimento
E por um breve momento
Cada um de nós reinava
E o pátio representava
Bem mais que um destacamento
Mas a vida em que eu brincava
Foi perdendo a fantasia
E conforme eu crescia
Mais ela se transformava
Dia a dia eu rumava
Para a vida de guerreiro
O tempo que é rotineiro
Ia ali se repetindo
E eu seguindo e seguindo
Ao meu destino altaneiro
O tempo passou ligeiro
Cheguei à maioridade
Sem muita maturidade
Fui infante verdadeiro
No Exército Brasileiro
Me vi uniformizado
Com meu coturno engraxado
Calça, camisa e gandola
O TG, mais uma escola
E eu de novo era Soldado
E quando eu me vi fardado
A servir à mãe gentil
Eu me vi homem viril
Com meu traje camuflado
O serviço é obrigado
Mas eu servi porque quis
No TG eu fui feliz
Lá eu fui um voluntário
Fez parte do itinerário
Servir ao nosso país
Aquele que tem raiz
Se destina ao crescimento
E em um dado momento
Enriquece sua matriz
E foi assim que eu fiz
Fui no concurso aprovado
No Demutran fui formado
Para o trânsito vigiar
Nas ruas do meu lugar
Eu voltei a ser soldado
Naquela diária luta
“Soldadiei” dia a dia
Quando o apito tinia
Era o início da labuta
Com minha boa conduta
Dos parceiros tive aprovo
E eu batalhava de novo
Na capital do romeiro
Nas ruas de Juazeiro
Fui soldado do meu povo
O tempo correu de novo
Chegou o dois mil e sete
Eu não era mais pivete
Quebrei a casca do ovo
Parti deixando meu povo
Sem achar isso engraçado
Mas também não fui forçado
E nem fui pra Curitiba
Eu fui foi pra Paraíba
E lá me formei Soldado
Eu agora era polícia
Policial de verdade
Já tinha capacidade
E a atitude propícia
Mas quando ouvi a notícia
Novo concurso virá
Decidi voltar pra cá
Servir em novas fileiras
Dei adeus a Cajazeiras
E voltei ao Ceará
É que bateu a saudade
Da minha terra querida
Remexi de novo a vida
E regressei à cidade
No limite da idade
Mais de trinta é dispensado
Estudei fui aprovado
Na Polícia Militar
E à terra de Alencar
Eu servi como Soldado
Dois mil e nove era o ano
Quando a farda renovei
Para casa regressei
Refazendo cada plano
Mas voltei a ser paisano
Sem deixar a segurança
Do meu sonho de criança
Eu continuei no curso
Venci em mais um concurso
Renovei a esperança
No peito é o distintivo
Que me faz a distinção
Nova instituição
Com um velho objetivo
Eu me mantenho ativo
Combatendo o que for vil
Servindo sem ser servil
O bom combate eu combato
Por que de direito e fato
Sou Policial Civil
A história continua
Pois a vida ainda vive
A criança sobrevive
No sonho que perpetua
O sonhar me conceitua
Como um sodado latente
Oculto, porém presente
E ainda em construção
Soldado sem batalhão
Sem capitão nem tenente
Soldado enquanto patente
Eu sei que deixei de ser
Mas quem luta quer vencer
Mesmo não sendo um valente
Eu era um pingo de gente
Soldado idealizado
Do sonho realizado
Ficou a satisfação
Também a convicção
Que sou eterno Soldado

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