terça-feira, 7 de julho de 2026

 O Segredo de Ser Feliz

Maria da Penha Vieira Ribeiro





Domine os imensos territórios

Mentalize o mundo de dentro

Reflita os erros, imperfeições

Visualize a dimensão do

universo e descobertas

científicas

A fragilidade emocional penetra

no mercado do amor, do desejo

de ser feliz sem confrontar com

ideias, lógica, desenvolvimento

Cultive a vida sentindo forças

Ser inteligente evitando o prazer

imediato, transtornos futuros

Atravesse desertos, montanhas,

penhascos. Não desconheça o

potencial de ser vencedor

Receba o troféu da felicidade

Navegue no infinito do mar,

oceanos, rios, cataratas

Persista na corrida da vida

Enfrente turbulências

tribulações

O segredo de ser feliz se

engaja nas belezas da

natureza

Envaidece o coração num

pulsar diferente, a voz

ardente é escutada

por quem ama

Sinta o pão da tranquilidade

da alma, o perfume das

flores, da esperança que

brotam frutos salutares

Amadurece sonhos, metas

prioridades associadas a

propósitos seguros e a

sombra do mal não

pode tocar

Gerencie seus pressupostos

Erga seus olhos sobre a

consciência de uma essência

pura, fascinante, contempladora

Persevere a fé e organize

suas programações inseridas

numa visão de futuro

O segredo de ser feliz

não se encontra na riqueza

de um palácio ou império, em

joias, minérios diversificados,

intelectualidade, duplas

inteligências, mas em um

convívio bonito de amor, paz

O segredo de tantos segredos

Para ser feliz precisa libertação

dos cárceres das emoções,

repreendendo doenças espirituais

e oportunizando nova chance

de superação

O homem não poderá ser feliz

sem a mão divina sobre si

O fundamento é amar a Cristo

e ao próximo com humildade

Faça parte do palco de santidade

Cuide bem de você, valorize 

seus predicados, sua história

Ame e perdoe seu irmão

Receberá bênçãos dos Céus

Precisa de uma família

constituída de caráter,

união, honestidade,

sustentabilidade onde

o temor, obediência

e a presença de Deus reine

com sabedoria nesse lugar,

nessas vidas

É necessário a construção de

relações sociais, integração

com outras pessoas, instituições

Rompe as bolhas da solidão e de

uma ausência que fere o íntimo

O amor verdadeiro faz parte de

uma caminhada verdejante

Jesus Cristo morreu no Calvário

por minha e sua salvação

Ponha em prática o segredo de

ser feliz.


Maria da Penha Vieira é escritora piaiuense radicada na cidade de Campos Sales-CE. Membra da Academia de Letras do Brasil (ALB), Seccional Araripe-cE

quarta-feira, 17 de junho de 2026

Melancolia

 



Nessa noite tão escura 

Aumenta minha amargura

Nem eu mesma sei porquê 

Não sei se é tristeza  

ou se e estranheza 

da saudade de você.


O tempo passa ligeiro 

O dia tão corriqueiro

Nao tem nem um enredo

Parece guardar segredo

Do tempo de nós dois.


Ah. Quem me dera 

Se essa quimera 

Não  viesse me assombrar 

Pois o que passou é passado 

não pretendo relembrar 


Porém nao sei fingir 

Nem tampouco distinguir 

Entre o amor e a paixão 

Insensatez ou razão

Mas dentro do coração 

Os dois precisam existir.


Francisca Santos 

Professora, escritora e poeta da cidade de Campos Sales-CE.

terça-feira, 16 de junho de 2026

A Vida é uma Incógnita




Às vezes tudo acontece tão depressa. Às vezes nem dá tempo de avisar, nem dá tempo de abraçar, de conversar, de falar aquele eu te amo. Às vezes nos resta chorar, pedindo força a Deus pra continuar, pra não desistir de tudo e de todos.

O "às vezes" vem tão de repente. Na calada da noite, na madrugada, naquela festa animada. O "às vezes" vem naquela viagem tão desejada. O "às vezes" vem naquela hora que ninguém imagina que algo possa acontecer.

A vida é uma incógnita.

E ninguém tá preparado pra perder, pra dizer adeus, pra gritar nunca mais. Ninguém tá preparado para o fim.  

Tão difícil entender o que a gente já sabe.  

Um dia todos partirão.  

Deixando saudades, deixando lembranças, deixando momentos, deixando de tudo um pouco.

Mas que dia será?  

Que mês?  

Que ano?  

Como será?

Pra que saber, se a única certeza que temos é que um dia a morte chega.  

E chega pra todos. Não importa quem tu és, nem o que tem, nem o que sabe, nem o que faz. Essa certeza é de todos.

Então viva! Deus te deu a vida pra viver.  

Eu falei viva, mas viva plantando o que tu gostaria de colher.  

Lembre-se: o que tu planta, tu colhe.  

Deus é justo. A colheita de cada um é feita no tempo certo. Aqui ninguém escapa de colher o que plantou.

Respeite pra ser respeitado.  

Você não é melhor do que ninguém.  

Seja humilde.  

A dor do outro pode ser sua amanhã.  

Faça o bem sempre.  

Mas faça de coração.  

Não julgue.  

Aprenda a respeitar.  

Aprenda a olhar o outro como ele é,  

Não como tu gostaria que ele fosse.

Nunca diminua ou despreze o outro pelo que ele é, pelo que ele tem, ou pelo que ele gosta.  

Cada um com seus gostos, suas cores, suas medidas, seus sabores, suas escolhas.

A vida é uma incógnita.  

Onde ganhar às vezes significa perder.  

Onde perder às vezes significa ganhar.

Que você nunca desista de viver, mesmo sabendo que a vida é uma incógnita.  

Viva. Aproveite o hoje, o agora, a vida.  

Viva antes do fim.

Que Deus cuide sempre da sua família.  

Que Deus abençoe sempre a sua vida.


Raimundinha Morais

Professora e escritora da cidade de Campos Sales-CE 



domingo, 29 de março de 2026

O Menino Que Sonhou Ser Um Soldado

 Lucivânio Correia 







Menino que é menino

Sonha desde o seu nascer

Cresce sonhando em crescer

Para não ser pequenino

E às vezes o seu destino

Prestando muita atenção

Por amor ou compaixão

Transforma o sonho sonhado

E o sonho realizado

Às vezes é profissão


Sinais do tempo ou não

Me lembro eu era criança

Já fazia a segurança

Brinquei, polícia e ladrão

Eu não era o capitão

Mas servia dedicado

Prendia os cabra safado

Que se metia a gabola

No pátio da minha escola

Eu brinquei de ser Soldado


Bem na hora do recreio

A turma se dividia

Os guri e as guria

Brincando sem ter receio

E eu ali naquele meio

Já queria ser polícia

Outros formavam milícia

E a vida se transformava

Meia hora nós brincava

Sem maldade nem malícia


E naquela brincadeira

Que a gente se envolvia

O sino nem se ouvia

Pra voltar para a cadeira

Às vezes a turma inteira

Se achava em divertimento

E por um breve momento

Cada um de nós reinava

E o pátio representava

Bem mais que um destacamento


Mas a vida em que eu brincava

Foi perdendo a fantasia

E conforme eu crescia

Mais ela se transformava

Dia a dia eu rumava

Para a vida de guerreiro

O tempo que é rotineiro

Ia ali se repetindo

E eu seguindo e seguindo

Ao meu destino altaneiro


O tempo passou ligeiro

Cheguei à maioridade

Sem muita maturidade

Fui infante verdadeiro

No Exército Brasileiro

Me vi uniformizado

Com meu coturno engraxado

Calça, camisa e gandola

O TG, mais uma escola

E eu de novo era Soldado


E quando eu me vi fardado

A servir à mãe gentil

Eu me vi homem viril

Com meu traje camuflado

O serviço é obrigado

Mas eu servi porque quis

No TG eu fui feliz

Lá eu fui um voluntário

Fez parte do itinerário

Servir ao nosso país


Aquele que tem raiz

Se destina ao crescimento

E em um dado momento

Enriquece sua matriz

E foi assim que eu fiz

Fui no concurso aprovado

No Demutran fui formado

Para o trânsito vigiar

Nas ruas do meu lugar

Eu voltei a ser soldado


Naquela diária luta

“Soldadiei” dia a dia

Quando o apito tinia

Era o início da labuta

Com minha boa conduta

Dos parceiros tive aprovo

E eu batalhava de novo

Na capital do romeiro

Nas ruas de Juazeiro

Fui soldado do meu povo


O tempo correu de novo

Chegou o dois mil e sete

Eu não era mais pivete

Quebrei a casca do ovo

Parti deixando meu povo

Sem achar isso engraçado

Mas também não fui forçado

E nem fui pra Curitiba

Eu fui foi pra Paraíba

E lá me formei Soldado


Eu agora era polícia

Policial de verdade

Já tinha capacidade

E a atitude propícia

Mas quando ouvi a notícia

Novo concurso virá

Decidi voltar pra cá

Servir em novas fileiras

Dei adeus a Cajazeiras

E voltei ao Ceará


É que bateu a saudade

Da minha terra querida

Remexi de novo a vida

E regressei à cidade

No limite da idade

Mais de trinta é dispensado

Estudei fui aprovado

Na Polícia Militar

E à terra de Alencar

Eu servi como Soldado


Dois mil e nove era o ano

Quando a farda renovei

Para casa regressei

Refazendo cada plano

Mas voltei a ser paisano

Sem deixar a segurança

Do meu sonho de criança

Eu continuei no curso

Venci em mais um concurso

Renovei a esperança


No peito é o distintivo

Que me faz a distinção

Nova instituição

Com um velho objetivo

Eu me mantenho ativo

Combatendo o que for vil

Servindo sem ser servil

O bom combate eu combato

Por que de direito e fato

Sou Policial Civil


A história continua

Pois a vida ainda vive

A criança sobrevive

No sonho que perpetua

O sonhar me conceitua

Como um sodado latente

Oculto, porém presente

E ainda em construção

Soldado sem batalhão

Sem capitão nem tenente


Soldado enquanto patente

Eu sei que deixei de ser

Mas quem luta quer vencer

Mesmo não sendo um valente

Eu era um pingo de gente

Soldado idealizado

Do sonho realizado

Ficou a satisfação

Também a convicção

Que sou eterno Soldado

Certas Dores

 Josenir Lacerda 





Pra certos tipos de dores

Não tem cura, nem remédio

Germina rancor e tédio

Onde brotavam amores

O que eram brilhos e cores

Vem o cinza e contagia

Prende o sonho e a utopia

Seca o balão da vontade

Ante a dura realidade

Queda enferma a fantasia.


A dor que não é da gente

Mas de alguém que a gente ama

Coração sofre, reclama

Enfraquecido e carente

Busca um norte, reticente

Mas resposta não consegue

Descrente e confuso segue

Magoado então vagueia

E na escuridão tateia

Ao cansaço quase entregue.



Quando a dor não é a sua

O controle não se tem 

E de repente ela se vem 

Sarcástica se insinua

Tece espessa falcatrua

Onde a paz fica envolvida

Sem forças, desfalecida

E o mundo fica cinzento

Some a luz que gera alento

E o elã que enfeita a vida.

 

É mais fácil calcular 

Quando a dor é pessoal 

Se de alguém especial

É tendencia duplicar

Tenta até nos sufocar

Porque no peito se instala

Feito mordaça nos cala

A nossa energia anula

A liberdade regula

Qual escravo na senzala.



Surge estranhas sensação

De inexplicável fraqueza

Desalento e incerteza

Frutos da decepção

Fuligem de frustação

Embotando a primavera

Anuncio de vã espera

No silencio esmagador

Igual rolo compressor

Transmuta em pó a quimera.


Espécie de pesadelo 

Ou sonho que se intromete

Insinuante promete

Com um sádico desvelo

Mas não atende o apelo

De ter fim ao despertar

É perito em disparar

Flecha certeira e covarde

Seta de fogo que arde

E queima bem devagar.



A torpe decepção 

Cruelmente se comporta

Escancara a frágil porta 

Com deboche entra em ação

Ousada, chama atenção

Atrevida e orgulhosa

Na atitude imperosa

De verdugo e capataz

Tolhe o sonho, prende a paz

Qual rainha poderosa.


A decepção e a dor

Chegam no mesmo momento

São gêmeas no fingimento

Estranha dupla a compor

Devotas do desamor

Sempre fazem parceria

Uma age, outra auxilia

Pelo sofrimento unidas

Muito embora divididas

Estão sempre em sintonia.



Quais damas sofisticadas

Agem na futilidade

As cartilhas da maldade 

Por elas são adotadas

No mesmo foco irmanadas

Juntas planejam eventos

Cúmplices nos sentimentos

Na lista de convidados

Os nomes selecionados

Seguem tristes argumentos.


Pensamento vira sala

Na qual adentra a tristeza

Uma andrajosa princesa

Trajando uma veste rala

Não se ouve sua fala

Porém a presença é forte

Qual portadora da sorte

Na penumbra ela se esgueira

Numa mudez sorrateira

De indesejada consorte.



Inútil tentar varrer

Da mente, tanta sujeira

Quando o sentir é poeira

Que teima por se manter

Fogo que volta a arder

No atiço da lembrança

Presença da esperança

Ressequida de desgosto

Luz mortiça do sol posto

Que no ocaso se lança.


Abertas porta e janela

Sem a devida licença

Indesejada presença

Feito mancha em aquarela

E o que já era sequela

Ainda sofre castigo

Sobejos de sonho antigo

Sobre a alma remendada

Que emudecida e cansada

Busca conforto e abrigo.



Entre suspiros e ais

A reunião prossegue 

Não há quem pare, nem negue

Mesmo perante os sinais

São companheiros leais

Recebem boa acolhida

Explicam bem a ferida

Mas depois injetam fel

Tirando o sabor do mel

Que torna mais doce a vida.


Pois quando a dor é alheia

Para alguns vira banquete

Servido num palacete

E não tenebrosa ceia

Onde só fraca candeia

Lança luz bruxuleante

Que brilha em fugaz instante

Revelando algum perfil

Indiferente, sutil

Arremedo de semblante.



E se essa dor desse o troco

Fizesse o rumo contrario

E no sentido anti-horário

No destino desse um soco

Gerasse o mesmo sufoco

E num jogo de cintura

Praticasse a mesma agrura

Segundo a lei do retorno

Como se fosse um suborno

Cuja paga é a tortura.


Mas deve haver um emplastro

Um unguento poderoso

Ou placebo mentiroso

Que suavize esse rastro

Gravado no alabastro

Que finge envolver o peito

Sugestão de falso efeito

Cortina que encobre o plasma

Modelador do fantasma

Que assombra e tira proveito. 


Crato-CE, Abril de 2022.


Gonzaguinha Oitentão                         É...       Tema da Procissão

 











       Literatura de Cordel 

                    Autor

           Pedro Sampaio 





(001)

A Procissão das Sanfonas

É xodó em Teresina 

Gente de todas as zonas 

Enfeitando cada esquina 

Reunindo tradição 

Memória do Gonzagão 

Pura essência nordestina.


(002)

São dezessete edições 

Essa marca é alcançada 

Patrimônio anotações 

Da cultura declarada 

Com marco imaterial  

Lá na esfera estadual

Fez a lei ser aprovada.


(003)

Procissão é um exemplo 

Resistente do Nordeste

Do Baião já virou templo 

Isso é fato inconteste 

Conquistou muitos espaços 

Sanfoneiros criam laços 

Como bons "Cabra da Peste". 


(004)

P.P.M premiada 

A classe, foi Som de Rua

Nesse prêmio consagrada 

E com garra continua 

Sendo bem reconhecida 

Na conquista concebida 

A Colônia "senta a pua". 


(005)

Nosso Wilson, Professor 

Reginaldo bom parceiro

Trabalharam com fervor 

Junto a cada sanfoneiro

Anunciaram decisão 

De fundar a Procissão

Que nasceu e foi ligeiro. 


(006)

Foi formando "Curriola"

Colônia Gonzaguiana

Vagner Ribeiro, decola 

Com a luta soberana 

Mostra seu Valor de Pi

Para além do Piauí 

Na Cultura se irmana. 


(007)

Brilha Escola Dona Gal 

Com Vânia e Beto Boreno

Gonzaga Lu alto astral 

Mariza, num tom sereno 

Ritmando toda a gente 

Ivan Silva bom regente 

Orquestra num bom terreno. 


(008)

E da primeira à Terceira

Edições da procissão 

Tremulou sua Bandeira 

Sem tema de exaltação 

Dois mil e onze tem mote

Grande Tocador de Xote 

De Forró e do Baião. 


(009)

Pedro Damásio, imortal 

A sanfona em Teresina 

Preferência era total 

A lembrança nos fascina 

Grande Mestre Sanfoneiro 

Alegrava o Terreiro

Com a sua Concertina. 


(010)

O Mestre Ângelo Abreu 

Nascido em São Serafim 

A Procissão no apogeu 

Declarou amor sem fim 

Ao Poeta de valor 

Artista Compositor

Tema desse jeito sim. 


(011)

Ano de dois mil e doze

Cem Anos de Gonzagão 

Saudade fazendo pose 

E Mestre Ângelo emoção 

Dupla marca de saudade 

Pelas ruas da cidade 

Lá se vai a Procissão. 


(012)

Dois mil e treze partiu 

Dominguinhos Tocador 

A Procissão decidiu 

Tematizar essa dor 

Por todos os seus cantinhos 

Destacava Dominguinhos 

Um tema com muito amor. 


(013)

Saudade, Bodas de Prata 

Dois mil e quatorze vem 

Nesse tema se retrata 

Falta, que vai muito além 

Fecha vinte e cinco anos 

Sentimentos soberanos 

Do Povo que lhe quer bem. 


(014)

Baião tem eterno Rei 

Mas também tem seu Doutor 

Nordeste tem sua lei 

A lei do bom tocador 

Procissão tão Altaneira 

Viva Humberto Teixeira 

Dois mil e quinze "sim sinhô" 


(015)

Baião virou setentão 

Em dois mil e dezeseis 

Foi tema da Procissão

Num canto de lucidez 

E que do povo ecoava

A Sanfona acompanhava 

Nas ruas com altivez. 


(016)

Asa Branca Setentona

Celebrada com confete 

E vibrou cada sanfona 

Em dois mil e dezessete

O nosso hino nordestino 

Foi o tema tão divino 

Procissão formou "escrete". 


(017)

Chegou data tão festiva 

Dez Anos da Procissão 

Dois mil e dezoito, viva!!!

Rei Eterno Gonzagão 

Seu aniversário, tema 

Procissão nosso poema 

Tá na boca do Povão. 


(018)

Lembro o tema que comove 

Tema trino, no terreiro 

Em dois mil e dezenove

Cem de Jackson do Pandeiro 

Raul Seixas e Gonzaga 

Há Trinta cumpriram saga

Saudosismo verdadeiro. 


(019)

E a emoção não se encerra 

Sivuca na procissão 

Com Maria da Inglaterra 

Na maior exaltação 

Com carinho e com requinte 

No ano dois mil e vinte

Oitentona e Noventão. 


(020)

Temas fora do comum 

Emoções? Já foram tantas 

Em dois mil e vinte e um

Procissão trouxe Zé Dantas 

O do Xote das Meninas

Das raízes nordestinas 

Aguando boas plantas. 


(021)

Asa Branca festejada 

Junto com Gilberto Gil 

Vinte e dois, ficou marcada

Em mais um tema gentil

Procissão em Teresina 

Tem sabor de Cajuína

Do Piauí para o Brasil 


(022)

Com Carmélia Alves, Rainha

Em dois mil e vinte e três 

Esse tema entrou na linha 

Cem Anos, "bola da vez"

Realeza do Baião 

Parceira de Gonzagão 

E tão bonito, ela fez. 


(023)

Dois mil vinte e  quatro, é 

Tema tão sensacional 

Padim Ciço vem na fé 

E João do Vale genial 

Celebraram a idade 

De cada celebridade 

Do Nordeste sem igual. 


(024)

Gonzaga de Pai pra Filho 

Gonzaguinha & Gonzagão 

De Gonzaga traz o brilho 

Gonzaguinha na canção 

Tema de garra e afinco 

Em dois mil e vinte e cinco 

Gonzaguinha Oitentão. 


(025)

Mais tema cordelizado 

Outra vez trago o Cordel

Gonzaguinha consagrado 

Vem ilustrando o plantel 

Carreira profissional 

Com destaque especial 

Como sendo meu Laurel. 


(026)

Falar de Discografia 

É do verso a intenção 

Sua música, magia 

Que fez dele campeão 

A competência em excesso 

Gonzaguinha só sucesso 

Tal qual Pai, o Gonzagão. 


(027)

No Morro, desde Menino 

Estácio a Comunidade 

Talento mais que divino

Muita musicalidade 

Seu DNA tem arte 

Legado que logo parte 

Do seu Pai a Majestade. 


(028)

Lembrança da Primavera

Primeira composição 

A inspiração impera 

A voz sai do coração 

Com dezenove de idade

Em talento, sumidade 

Filho do Rei do Baião. 


(029)

Xavier foi um Padrinho

Na formação musical 

Dina lhe dava carinho 

Aconchego maternal 

O seu morro lhe inspirava 

Gonzaguinha já criava 

Consciência social. 


(030)

Formação? Economista!

Sem exercer profissão 

Mas quis a vida de artista 

E com determinação 

Na censura foi real 

Comportamento Geral

Sofrendo perseguição. 


(031)

Foi no Flávio Cavalcante 

Programa Televisivo

Com repercussão gigante 

Chamaram subversivo 

Censores lhe perseguindo 

Gonzaguinha resistindo 

Movimento combativo. 


(032)

Lá pelos anos setenta 

O "chumbo grosso" comia 

E toda arte representa 

A Luta, a Ideologia

As músicas censuradas 

Cadeias muitas lotadas 

Foi terrível agonia. 


(033)

Período de reclusão 

Por conta de tratamento 

De doença do pulmão 

Aproveitou o momento 

Pra compor e pra criar 

E depois nos encantar 

Ao sair do aposento. 


(034)

Movimento Musical

Universitarizou 

Com Ivan Lins, genial 

Aldir Blanc, lá entrou 

Teve César Costa Filho 

Paulo Emílio com seu brilho 

Movimento demarcou. 


(035)

Dois Álbuns trazem seu nome 

Anos idos, de setenta 

De sucesso tinha fome 

E seu ego se alimenta 

Luiz Gonzaga, é o novo 

O Júnior, abraça o povo 

O seu carisma arrebenta. 


(036)

O COMEÇARIA TUDO...

OUTRA VEZ, logo explodiu

Com sua voz de veludo 

A nação toda aplaudiu 

O MOLEQUE GONZAGUINHA 

Com disco RECADO tinha 

O que o Povo nunca viu. 


(037)

O GONZAGUINHA DA VIDA 

E tem DE VOLTA AO COMEÇO 

OLHO DE LINCE engravida

E o GRÁVIDO não tem preço 

PLANO DE VÔO sutil 

Seu ALÔ ALÔ BRASIL 

Esse sim, jamais esqueço. 


(038)

COISA MAIS MAIOR DE GRANDE 

CAMINHOS DO CORAÇÃO 

É...o Moleque se expande 

LUIZINHO DE GONZAGÃO 

Tem GONZAGA, GONZAGUINHA 

Encanta a Pátria todinha 

O Brasil ganha excursão. 


(039)

Show Vida de Viajante

Se espalhou pelo País

Com Pai e Filho, importante 

União mais que feliz 

Turnê plena consagrada 

Marcou dos dois a estrada 

E o povo pedindo bis. 


(040)

Gonzaguinha criador 

Ele é imortalizado 

Consagrado bom cantor 

E por muitos foi gravado 

Riqueza de poesia 

Casada com melodia 

E fica tudo arretado. 


(041)

Músicas eternizadas 

Na arte de Gonzaguinha 

Pela pátria são cantadas 

Muitos seguem sua linha 

Como: O QUE É O QUE É 

DIGA LÁ CORAÇÃO, fé 

O GRITO DE ALERTA, vinha. 


(042)

NÃO DÁ MAIS PRA SEGURAR 

ESPERE POR MIM MORENA 

MAMÃO COM MEL, pra provar

E FELIZ valendo a pena

Em LINDO LAGO DO AMOR

Romantismo com fervor 

SANGRANDO, nada serena. 


(043) 

A Vida de Viajante

De Gonzaga botou fé 

Gonzaguinha tão brilhante 

A Dança do Capilé 

Tem Asa Branca aguerrida

E Super Show Maravida

Na Estrada de Canindé. 


(044)

Foram muitos os Cantores

Que gravaram Gonzaguinha

Fagner com seus primores 

Elis Regina, rainha 

Simone, Gilberto Gil 

O Tim Maia, bem Brasil

Alcione, a marronzinha. 


(045)

Ney Matogrosso encantou

E também a linda Gal

Joana também brilhou

Zizi Possi genial

Até o Rei do Baião 

Gravou a composição 

Com carinho paternal. 


(046)

Lenine, Zeca Baleiro

Também Milton Nascimento 

Ivan Lins, tão altaneiro

Luiz Caldas, incremento 

Audir blanc, já te falo 

Juntou Ivete Sangalo 

Todos em contentamento. 


(047)

Uma pequena amostragem

E Gonzaguinha é riqueza 

Tatuou a sua imagem 

Na criança com pureza 

Moleque da poesia 

Imagina melodia 

Retratada com nobreza. 


(048)

Nos deixou precocemente 

Findou a sina e a saga

Em terrível acidente 

Morre o Filho de Gonzaga

O Verso em Triste Partida

Ecoou na despedida 

Sua estrela não apaga. 


(049)

Gonzaguinha Oitentão 

Sua memória em Teresina 

Sanfoneiros, Procissão 

Pura essência nordestina 

Seu legado no plantel 

Com seu Filho Daniel 

É tesouro, ouro de mina. 


(050)

Tão feliz daqui eu saio

Deus me deu esse Cordel 

Kabokim Pedro Sampaio 

Versou para um Menestrel 

Fã da linda Procissão 

Gonzaguinha e Gonzagão 

Esse tema é meu Laurel. 

          

           (... Fim…)


Retratos da Humanidade

 


João Rodrigues (Reriutaba – Ceará) 






Certa noite, na calçada

Eu vi despontar a lua

Toda banhada de prata

Sem pudor e toda nua

Aquilo foi um convite

Para passear na rua.


Saí bem despreocupado

Tanto quanto um vagabundo

Daqueles que nunca pensam

Que há problemas no mundo

Queria deixar de pensar

Ao menos por um segundo.


Com a noite me beijando

A lua por companhia

Com as estrelas sorrindo

O vento numa alegria

Sussurrava em meu ouvido

Verso, rima e poesia.


Feito uma folha no vento

Saí andando à vontade

Sem rumo, sem direção

Pelas ruas da cidade

Pois eu queria esquecer

Dos males da humanidade.


Passando sob a marquise

Vi, assentado no chão,

Um trapo imundo de homem

Pra mim estendeu a mão:

“Senhor, me dê um real,

Ou um pedaço de pão”.



O meu encanto quebrou-se

Voltei à realidade

Ao ver um resto de homem

Servo da necessidade

Sentado aos pés da miséria

Implorando caridade.


Um olhar de sofrimento

Nem parecia de humano

O corpo magro coberto

Com umas tiras de pano

Como se não fosse feito

Pelas mãos do Soberano.


Ao atender seu pedido

Segui minha caminhada

E para esquecer do caso

Apressei minha passada

A fim de curtir a noite

Entrando na madrugada.


Vi o Cruzeiro do Sul

Acenando pra Plutão

Com os olhos passeei

Por outra constelação

De repente, uma criança

Veio em minha direção.


De mais ou menos dez anos

Vinha aquela criatura

Pequena, frágil, sofrida

Vestida de amargura

Parecendo a própria fome

Pintada numa moldura.


Era um fantasma de gente

Tentou sorrir ao me ver

De alma triste, abatida,

Talvez de tanto sofrer

Com voz fraca, disse: “Tio,

Me dê algo pra comer.”


Olhei praquela criança

Era pra tá na escola

Ter uma cama e comida

Ter família, jogar bola...

Mas andava pelas ruas

Com fome, pedindo esmola.


A pena invadiu meu peito

Rasgando meu coração

Meti a mão no meu bolso

Arrastei algum tostão

Ficou bastante feliz

Quando estendi minha mão.


Olhou e me agradeceu

Sem nenhuma falsidade

Saiu pulando e correndo

Pelas ruas da cidade

Parecia ter encontrado

A própria felicidade.


Senti a alma chorando

Mas foi só por um momento

Procurei olhar pra lua

Sentir o canto do vento...

Afinal, fui passear...

Esquecer o sofrimento.


Depressa virei a página

Daquela história de dor

Queria ver outra ilustrada

Com mais brilho, luz e cor

Que tivesse sido escrita

Pela mão do próprio amor.


Nem tinha cicatrizado

Minha mais nova ferida

Vi uma moça encostada

Num poste da avenida

Vendendo seu próprio corpo

Pelas esquinas da vida.


Abrindo o botão da blusa

Rápido como um beija-flor

Veio em minha direção

Com um olhar sedutor

Me pedindo alguns reais

Por uma dose de amor.


Falei “Não”. Ela insistiu

Me pediu só um minuto

Tentando me convencer

Como um vendedor astuto

Expondo seu próprio corpo

Como se fosse um produto.


Sentindo que eu não queria

Depressa, foi se virando

Pois já tinha outro cliente 

No pé do poste, esperando

Ali eu deixei a jovem

Parti de alma chorando.


Me lembrei de Madalena 

Que fora mulher da vida

Mas teve sua salvação

Por sentir-se arrependida

Pedi a Deus que essa jovem

Um dia fosse redimida.


Quando cheguei mais adiante

Vi outra cena indecente

Um homem sendo xingado

De maneira prepotente

Só porque a cor do outro

Era da sua diferente.


Da boca daquele homem

Jorravam litros de fel 

Senti que seu coração

Guardava um ódio cruel

Um veneno bem maior

Do que tem a cascavel.


Lamentei por esse homem

Ter tanto ódio e rancor

Como quem sente prazer

Agia com tanto furor 

Apenas porque seu próximo

Divergia de sua cor.


Ver o mendigo e a criança

Nas ruas, partiu meu peito,

A mulher vendendo amor

Fiquei muito insatisfeito

Além do homem pisado

Pelos pés do preconceito.


Saí de cabeça baixa

Caminhando pensativo

Mais na frente vi um pai

Furioso e agressivo

Botando o filho pra fora

Porque era homoafetivo.


A mãe chorava num canto

Com o seu filho, agarrada

O marido, feito um bicho,

Vez em quando uma pancada

Ver o seu filho indo embora

Doía mais que a bofetada.


Com aquela triste cena

Fiquei ali, sem ação

Imóvel, mudo, tremendo

Completamente sem chão

Entrei na primeira igreja

Pra fazer uma oração.


Meus olhos não tinham brilho

Com o peito feito fel

Pensei: “A casa de Deus

É mais doce do que mel

Talvez aqui eu me livre

Deste mundo tão cruel.”


Mas foi ali que sofri

A pior decepção

Ao ver um “servo de Deus”

De Livro Santo na mão

Explorando a fé humana 

E vendendo salvação.


Depois da cena que vi

Quase morro de desgosto

Naquele templo sagrado

Notei o pecado exposto

De vergonha, vi o Cristo

Escondendo o próprio rosto.


Era pra ser um passeio

Pelas ruas da cidade

Mas voltei pra casa triste

Ao ver tanta impiedade

E fui dormir abraçado

Aos males da humanidade.











 O Segredo de Ser Feliz

Maria da Penha Vieira Ribeiro Domine os imensos territórios Mentalize o mundo de dentro Reflita os erros, imperfeições Visualize a dimensão ...