domingo, 29 de março de 2026

O Menino Que Sonhou Ser Um Soldado

 Lucivânio Correia 







Menino que é menino

Sonha desde o seu nascer

Cresce sonhando em crescer

Para não ser pequenino

E às vezes o seu destino

Prestando muita atenção

Por amor ou compaixão

Transforma o sonho sonhado

E o sonho realizado

Às vezes é profissão


Sinais do tempo ou não

Me lembro eu era criança

Já fazia a segurança

Brinquei, polícia e ladrão

Eu não era o capitão

Mas servia dedicado

Prendia os cabra safado

Que se metia a gabola

No pátio da minha escola

Eu brinquei de ser Soldado


Bem na hora do recreio

A turma se dividia

Os guri e as guria

Brincando sem ter receio

E eu ali naquele meio

Já queria ser polícia

Outros formavam milícia

E a vida se transformava

Meia hora nós brincava

Sem maldade nem malícia


E naquela brincadeira

Que a gente se envolvia

O sino nem se ouvia

Pra voltar para a cadeira

Às vezes a turma inteira

Se achava em divertimento

E por um breve momento

Cada um de nós reinava

E o pátio representava

Bem mais que um destacamento


Mas a vida em que eu brincava

Foi perdendo a fantasia

E conforme eu crescia

Mais ela se transformava

Dia a dia eu rumava

Para a vida de guerreiro

O tempo que é rotineiro

Ia ali se repetindo

E eu seguindo e seguindo

Ao meu destino altaneiro


O tempo passou ligeiro

Cheguei à maioridade

Sem muita maturidade

Fui infante verdadeiro

No Exército Brasileiro

Me vi uniformizado

Com meu coturno engraxado

Calça, camisa e gandola

O TG, mais uma escola

E eu de novo era Soldado


E quando eu me vi fardado

A servir à mãe gentil

Eu me vi homem viril

Com meu traje camuflado

O serviço é obrigado

Mas eu servi porque quis

No TG eu fui feliz

Lá eu fui um voluntário

Fez parte do itinerário

Servir ao nosso país


Aquele que tem raiz

Se destina ao crescimento

E em um dado momento

Enriquece sua matriz

E foi assim que eu fiz

Fui no concurso aprovado

No Demutran fui formado

Para o trânsito vigiar

Nas ruas do meu lugar

Eu voltei a ser soldado


Naquela diária luta

“Soldadiei” dia a dia

Quando o apito tinia

Era o início da labuta

Com minha boa conduta

Dos parceiros tive aprovo

E eu batalhava de novo

Na capital do romeiro

Nas ruas de Juazeiro

Fui soldado do meu povo


O tempo correu de novo

Chegou o dois mil e sete

Eu não era mais pivete

Quebrei a casca do ovo

Parti deixando meu povo

Sem achar isso engraçado

Mas também não fui forçado

E nem fui pra Curitiba

Eu fui foi pra Paraíba

E lá me formei Soldado


Eu agora era polícia

Policial de verdade

Já tinha capacidade

E a atitude propícia

Mas quando ouvi a notícia

Novo concurso virá

Decidi voltar pra cá

Servir em novas fileiras

Dei adeus a Cajazeiras

E voltei ao Ceará


É que bateu a saudade

Da minha terra querida

Remexi de novo a vida

E regressei à cidade

No limite da idade

Mais de trinta é dispensado

Estudei fui aprovado

Na Polícia Militar

E à terra de Alencar

Eu servi como Soldado


Dois mil e nove era o ano

Quando a farda renovei

Para casa regressei

Refazendo cada plano

Mas voltei a ser paisano

Sem deixar a segurança

Do meu sonho de criança

Eu continuei no curso

Venci em mais um concurso

Renovei a esperança


No peito é o distintivo

Que me faz a distinção

Nova instituição

Com um velho objetivo

Eu me mantenho ativo

Combatendo o que for vil

Servindo sem ser servil

O bom combate eu combato

Por que de direito e fato

Sou Policial Civil


A história continua

Pois a vida ainda vive

A criança sobrevive

No sonho que perpetua

O sonhar me conceitua

Como um sodado latente

Oculto, porém presente

E ainda em construção

Soldado sem batalhão

Sem capitão nem tenente


Soldado enquanto patente

Eu sei que deixei de ser

Mas quem luta quer vencer

Mesmo não sendo um valente

Eu era um pingo de gente

Soldado idealizado

Do sonho realizado

Ficou a satisfação

Também a convicção

Que sou eterno Soldado

Certas Dores

 Josenir Lacerda 





Pra certos tipos de dores

Não tem cura, nem remédio

Germina rancor e tédio

Onde brotavam amores

O que eram brilhos e cores

Vem o cinza e contagia

Prende o sonho e a utopia

Seca o balão da vontade

Ante a dura realidade

Queda enferma a fantasia.


A dor que não é da gente

Mas de alguém que a gente ama

Coração sofre, reclama

Enfraquecido e carente

Busca um norte, reticente

Mas resposta não consegue

Descrente e confuso segue

Magoado então vagueia

E na escuridão tateia

Ao cansaço quase entregue.



Quando a dor não é a sua

O controle não se tem 

E de repente ela se vem 

Sarcástica se insinua

Tece espessa falcatrua

Onde a paz fica envolvida

Sem forças, desfalecida

E o mundo fica cinzento

Some a luz que gera alento

E o elã que enfeita a vida.

 

É mais fácil calcular 

Quando a dor é pessoal 

Se de alguém especial

É tendencia duplicar

Tenta até nos sufocar

Porque no peito se instala

Feito mordaça nos cala

A nossa energia anula

A liberdade regula

Qual escravo na senzala.



Surge estranhas sensação

De inexplicável fraqueza

Desalento e incerteza

Frutos da decepção

Fuligem de frustação

Embotando a primavera

Anuncio de vã espera

No silencio esmagador

Igual rolo compressor

Transmuta em pó a quimera.


Espécie de pesadelo 

Ou sonho que se intromete

Insinuante promete

Com um sádico desvelo

Mas não atende o apelo

De ter fim ao despertar

É perito em disparar

Flecha certeira e covarde

Seta de fogo que arde

E queima bem devagar.



A torpe decepção 

Cruelmente se comporta

Escancara a frágil porta 

Com deboche entra em ação

Ousada, chama atenção

Atrevida e orgulhosa

Na atitude imperosa

De verdugo e capataz

Tolhe o sonho, prende a paz

Qual rainha poderosa.


A decepção e a dor

Chegam no mesmo momento

São gêmeas no fingimento

Estranha dupla a compor

Devotas do desamor

Sempre fazem parceria

Uma age, outra auxilia

Pelo sofrimento unidas

Muito embora divididas

Estão sempre em sintonia.



Quais damas sofisticadas

Agem na futilidade

As cartilhas da maldade 

Por elas são adotadas

No mesmo foco irmanadas

Juntas planejam eventos

Cúmplices nos sentimentos

Na lista de convidados

Os nomes selecionados

Seguem tristes argumentos.


Pensamento vira sala

Na qual adentra a tristeza

Uma andrajosa princesa

Trajando uma veste rala

Não se ouve sua fala

Porém a presença é forte

Qual portadora da sorte

Na penumbra ela se esgueira

Numa mudez sorrateira

De indesejada consorte.



Inútil tentar varrer

Da mente, tanta sujeira

Quando o sentir é poeira

Que teima por se manter

Fogo que volta a arder

No atiço da lembrança

Presença da esperança

Ressequida de desgosto

Luz mortiça do sol posto

Que no ocaso se lança.


Abertas porta e janela

Sem a devida licença

Indesejada presença

Feito mancha em aquarela

E o que já era sequela

Ainda sofre castigo

Sobejos de sonho antigo

Sobre a alma remendada

Que emudecida e cansada

Busca conforto e abrigo.



Entre suspiros e ais

A reunião prossegue 

Não há quem pare, nem negue

Mesmo perante os sinais

São companheiros leais

Recebem boa acolhida

Explicam bem a ferida

Mas depois injetam fel

Tirando o sabor do mel

Que torna mais doce a vida.


Pois quando a dor é alheia

Para alguns vira banquete

Servido num palacete

E não tenebrosa ceia

Onde só fraca candeia

Lança luz bruxuleante

Que brilha em fugaz instante

Revelando algum perfil

Indiferente, sutil

Arremedo de semblante.



E se essa dor desse o troco

Fizesse o rumo contrario

E no sentido anti-horário

No destino desse um soco

Gerasse o mesmo sufoco

E num jogo de cintura

Praticasse a mesma agrura

Segundo a lei do retorno

Como se fosse um suborno

Cuja paga é a tortura.


Mas deve haver um emplastro

Um unguento poderoso

Ou placebo mentiroso

Que suavize esse rastro

Gravado no alabastro

Que finge envolver o peito

Sugestão de falso efeito

Cortina que encobre o plasma

Modelador do fantasma

Que assombra e tira proveito. 


Crato-CE, Abril de 2022.


Gonzaguinha Oitentão                         É...       Tema da Procissão

 











       Literatura de Cordel 

                    Autor

           Pedro Sampaio 





(001)

A Procissão das Sanfonas

É xodó em Teresina 

Gente de todas as zonas 

Enfeitando cada esquina 

Reunindo tradição 

Memória do Gonzagão 

Pura essência nordestina.


(002)

São dezessete edições 

Essa marca é alcançada 

Patrimônio anotações 

Da cultura declarada 

Com marco imaterial  

Lá na esfera estadual

Fez a lei ser aprovada.


(003)

Procissão é um exemplo 

Resistente do Nordeste

Do Baião já virou templo 

Isso é fato inconteste 

Conquistou muitos espaços 

Sanfoneiros criam laços 

Como bons "Cabra da Peste". 


(004)

P.P.M premiada 

A classe, foi Som de Rua

Nesse prêmio consagrada 

E com garra continua 

Sendo bem reconhecida 

Na conquista concebida 

A Colônia "senta a pua". 


(005)

Nosso Wilson, Professor 

Reginaldo bom parceiro

Trabalharam com fervor 

Junto a cada sanfoneiro

Anunciaram decisão 

De fundar a Procissão

Que nasceu e foi ligeiro. 


(006)

Foi formando "Curriola"

Colônia Gonzaguiana

Vagner Ribeiro, decola 

Com a luta soberana 

Mostra seu Valor de Pi

Para além do Piauí 

Na Cultura se irmana. 


(007)

Brilha Escola Dona Gal 

Com Vânia e Beto Boreno

Gonzaga Lu alto astral 

Mariza, num tom sereno 

Ritmando toda a gente 

Ivan Silva bom regente 

Orquestra num bom terreno. 


(008)

E da primeira à Terceira

Edições da procissão 

Tremulou sua Bandeira 

Sem tema de exaltação 

Dois mil e onze tem mote

Grande Tocador de Xote 

De Forró e do Baião. 


(009)

Pedro Damásio, imortal 

A sanfona em Teresina 

Preferência era total 

A lembrança nos fascina 

Grande Mestre Sanfoneiro 

Alegrava o Terreiro

Com a sua Concertina. 


(010)

O Mestre Ângelo Abreu 

Nascido em São Serafim 

A Procissão no apogeu 

Declarou amor sem fim 

Ao Poeta de valor 

Artista Compositor

Tema desse jeito sim. 


(011)

Ano de dois mil e doze

Cem Anos de Gonzagão 

Saudade fazendo pose 

E Mestre Ângelo emoção 

Dupla marca de saudade 

Pelas ruas da cidade 

Lá se vai a Procissão. 


(012)

Dois mil e treze partiu 

Dominguinhos Tocador 

A Procissão decidiu 

Tematizar essa dor 

Por todos os seus cantinhos 

Destacava Dominguinhos 

Um tema com muito amor. 


(013)

Saudade, Bodas de Prata 

Dois mil e quatorze vem 

Nesse tema se retrata 

Falta, que vai muito além 

Fecha vinte e cinco anos 

Sentimentos soberanos 

Do Povo que lhe quer bem. 


(014)

Baião tem eterno Rei 

Mas também tem seu Doutor 

Nordeste tem sua lei 

A lei do bom tocador 

Procissão tão Altaneira 

Viva Humberto Teixeira 

Dois mil e quinze "sim sinhô" 


(015)

Baião virou setentão 

Em dois mil e dezeseis 

Foi tema da Procissão

Num canto de lucidez 

E que do povo ecoava

A Sanfona acompanhava 

Nas ruas com altivez. 


(016)

Asa Branca Setentona

Celebrada com confete 

E vibrou cada sanfona 

Em dois mil e dezessete

O nosso hino nordestino 

Foi o tema tão divino 

Procissão formou "escrete". 


(017)

Chegou data tão festiva 

Dez Anos da Procissão 

Dois mil e dezoito, viva!!!

Rei Eterno Gonzagão 

Seu aniversário, tema 

Procissão nosso poema 

Tá na boca do Povão. 


(018)

Lembro o tema que comove 

Tema trino, no terreiro 

Em dois mil e dezenove

Cem de Jackson do Pandeiro 

Raul Seixas e Gonzaga 

Há Trinta cumpriram saga

Saudosismo verdadeiro. 


(019)

E a emoção não se encerra 

Sivuca na procissão 

Com Maria da Inglaterra 

Na maior exaltação 

Com carinho e com requinte 

No ano dois mil e vinte

Oitentona e Noventão. 


(020)

Temas fora do comum 

Emoções? Já foram tantas 

Em dois mil e vinte e um

Procissão trouxe Zé Dantas 

O do Xote das Meninas

Das raízes nordestinas 

Aguando boas plantas. 


(021)

Asa Branca festejada 

Junto com Gilberto Gil 

Vinte e dois, ficou marcada

Em mais um tema gentil

Procissão em Teresina 

Tem sabor de Cajuína

Do Piauí para o Brasil 


(022)

Com Carmélia Alves, Rainha

Em dois mil e vinte e três 

Esse tema entrou na linha 

Cem Anos, "bola da vez"

Realeza do Baião 

Parceira de Gonzagão 

E tão bonito, ela fez. 


(023)

Dois mil vinte e  quatro, é 

Tema tão sensacional 

Padim Ciço vem na fé 

E João do Vale genial 

Celebraram a idade 

De cada celebridade 

Do Nordeste sem igual. 


(024)

Gonzaga de Pai pra Filho 

Gonzaguinha & Gonzagão 

De Gonzaga traz o brilho 

Gonzaguinha na canção 

Tema de garra e afinco 

Em dois mil e vinte e cinco 

Gonzaguinha Oitentão. 


(025)

Mais tema cordelizado 

Outra vez trago o Cordel

Gonzaguinha consagrado 

Vem ilustrando o plantel 

Carreira profissional 

Com destaque especial 

Como sendo meu Laurel. 


(026)

Falar de Discografia 

É do verso a intenção 

Sua música, magia 

Que fez dele campeão 

A competência em excesso 

Gonzaguinha só sucesso 

Tal qual Pai, o Gonzagão. 


(027)

No Morro, desde Menino 

Estácio a Comunidade 

Talento mais que divino

Muita musicalidade 

Seu DNA tem arte 

Legado que logo parte 

Do seu Pai a Majestade. 


(028)

Lembrança da Primavera

Primeira composição 

A inspiração impera 

A voz sai do coração 

Com dezenove de idade

Em talento, sumidade 

Filho do Rei do Baião. 


(029)

Xavier foi um Padrinho

Na formação musical 

Dina lhe dava carinho 

Aconchego maternal 

O seu morro lhe inspirava 

Gonzaguinha já criava 

Consciência social. 


(030)

Formação? Economista!

Sem exercer profissão 

Mas quis a vida de artista 

E com determinação 

Na censura foi real 

Comportamento Geral

Sofrendo perseguição. 


(031)

Foi no Flávio Cavalcante 

Programa Televisivo

Com repercussão gigante 

Chamaram subversivo 

Censores lhe perseguindo 

Gonzaguinha resistindo 

Movimento combativo. 


(032)

Lá pelos anos setenta 

O "chumbo grosso" comia 

E toda arte representa 

A Luta, a Ideologia

As músicas censuradas 

Cadeias muitas lotadas 

Foi terrível agonia. 


(033)

Período de reclusão 

Por conta de tratamento 

De doença do pulmão 

Aproveitou o momento 

Pra compor e pra criar 

E depois nos encantar 

Ao sair do aposento. 


(034)

Movimento Musical

Universitarizou 

Com Ivan Lins, genial 

Aldir Blanc, lá entrou 

Teve César Costa Filho 

Paulo Emílio com seu brilho 

Movimento demarcou. 


(035)

Dois Álbuns trazem seu nome 

Anos idos, de setenta 

De sucesso tinha fome 

E seu ego se alimenta 

Luiz Gonzaga, é o novo 

O Júnior, abraça o povo 

O seu carisma arrebenta. 


(036)

O COMEÇARIA TUDO...

OUTRA VEZ, logo explodiu

Com sua voz de veludo 

A nação toda aplaudiu 

O MOLEQUE GONZAGUINHA 

Com disco RECADO tinha 

O que o Povo nunca viu. 


(037)

O GONZAGUINHA DA VIDA 

E tem DE VOLTA AO COMEÇO 

OLHO DE LINCE engravida

E o GRÁVIDO não tem preço 

PLANO DE VÔO sutil 

Seu ALÔ ALÔ BRASIL 

Esse sim, jamais esqueço. 


(038)

COISA MAIS MAIOR DE GRANDE 

CAMINHOS DO CORAÇÃO 

É...o Moleque se expande 

LUIZINHO DE GONZAGÃO 

Tem GONZAGA, GONZAGUINHA 

Encanta a Pátria todinha 

O Brasil ganha excursão. 


(039)

Show Vida de Viajante

Se espalhou pelo País

Com Pai e Filho, importante 

União mais que feliz 

Turnê plena consagrada 

Marcou dos dois a estrada 

E o povo pedindo bis. 


(040)

Gonzaguinha criador 

Ele é imortalizado 

Consagrado bom cantor 

E por muitos foi gravado 

Riqueza de poesia 

Casada com melodia 

E fica tudo arretado. 


(041)

Músicas eternizadas 

Na arte de Gonzaguinha 

Pela pátria são cantadas 

Muitos seguem sua linha 

Como: O QUE É O QUE É 

DIGA LÁ CORAÇÃO, fé 

O GRITO DE ALERTA, vinha. 


(042)

NÃO DÁ MAIS PRA SEGURAR 

ESPERE POR MIM MORENA 

MAMÃO COM MEL, pra provar

E FELIZ valendo a pena

Em LINDO LAGO DO AMOR

Romantismo com fervor 

SANGRANDO, nada serena. 


(043) 

A Vida de Viajante

De Gonzaga botou fé 

Gonzaguinha tão brilhante 

A Dança do Capilé 

Tem Asa Branca aguerrida

E Super Show Maravida

Na Estrada de Canindé. 


(044)

Foram muitos os Cantores

Que gravaram Gonzaguinha

Fagner com seus primores 

Elis Regina, rainha 

Simone, Gilberto Gil 

O Tim Maia, bem Brasil

Alcione, a marronzinha. 


(045)

Ney Matogrosso encantou

E também a linda Gal

Joana também brilhou

Zizi Possi genial

Até o Rei do Baião 

Gravou a composição 

Com carinho paternal. 


(046)

Lenine, Zeca Baleiro

Também Milton Nascimento 

Ivan Lins, tão altaneiro

Luiz Caldas, incremento 

Audir blanc, já te falo 

Juntou Ivete Sangalo 

Todos em contentamento. 


(047)

Uma pequena amostragem

E Gonzaguinha é riqueza 

Tatuou a sua imagem 

Na criança com pureza 

Moleque da poesia 

Imagina melodia 

Retratada com nobreza. 


(048)

Nos deixou precocemente 

Findou a sina e a saga

Em terrível acidente 

Morre o Filho de Gonzaga

O Verso em Triste Partida

Ecoou na despedida 

Sua estrela não apaga. 


(049)

Gonzaguinha Oitentão 

Sua memória em Teresina 

Sanfoneiros, Procissão 

Pura essência nordestina 

Seu legado no plantel 

Com seu Filho Daniel 

É tesouro, ouro de mina. 


(050)

Tão feliz daqui eu saio

Deus me deu esse Cordel 

Kabokim Pedro Sampaio 

Versou para um Menestrel 

Fã da linda Procissão 

Gonzaguinha e Gonzagão 

Esse tema é meu Laurel. 

          

           (... Fim…)


Retratos da Humanidade

 


João Rodrigues (Reriutaba – Ceará) 






Certa noite, na calçada

Eu vi despontar a lua

Toda banhada de prata

Sem pudor e toda nua

Aquilo foi um convite

Para passear na rua.


Saí bem despreocupado

Tanto quanto um vagabundo

Daqueles que nunca pensam

Que há problemas no mundo

Queria deixar de pensar

Ao menos por um segundo.


Com a noite me beijando

A lua por companhia

Com as estrelas sorrindo

O vento numa alegria

Sussurrava em meu ouvido

Verso, rima e poesia.


Feito uma folha no vento

Saí andando à vontade

Sem rumo, sem direção

Pelas ruas da cidade

Pois eu queria esquecer

Dos males da humanidade.


Passando sob a marquise

Vi, assentado no chão,

Um trapo imundo de homem

Pra mim estendeu a mão:

“Senhor, me dê um real,

Ou um pedaço de pão”.



O meu encanto quebrou-se

Voltei à realidade

Ao ver um resto de homem

Servo da necessidade

Sentado aos pés da miséria

Implorando caridade.


Um olhar de sofrimento

Nem parecia de humano

O corpo magro coberto

Com umas tiras de pano

Como se não fosse feito

Pelas mãos do Soberano.


Ao atender seu pedido

Segui minha caminhada

E para esquecer do caso

Apressei minha passada

A fim de curtir a noite

Entrando na madrugada.


Vi o Cruzeiro do Sul

Acenando pra Plutão

Com os olhos passeei

Por outra constelação

De repente, uma criança

Veio em minha direção.


De mais ou menos dez anos

Vinha aquela criatura

Pequena, frágil, sofrida

Vestida de amargura

Parecendo a própria fome

Pintada numa moldura.


Era um fantasma de gente

Tentou sorrir ao me ver

De alma triste, abatida,

Talvez de tanto sofrer

Com voz fraca, disse: “Tio,

Me dê algo pra comer.”


Olhei praquela criança

Era pra tá na escola

Ter uma cama e comida

Ter família, jogar bola...

Mas andava pelas ruas

Com fome, pedindo esmola.


A pena invadiu meu peito

Rasgando meu coração

Meti a mão no meu bolso

Arrastei algum tostão

Ficou bastante feliz

Quando estendi minha mão.


Olhou e me agradeceu

Sem nenhuma falsidade

Saiu pulando e correndo

Pelas ruas da cidade

Parecia ter encontrado

A própria felicidade.


Senti a alma chorando

Mas foi só por um momento

Procurei olhar pra lua

Sentir o canto do vento...

Afinal, fui passear...

Esquecer o sofrimento.


Depressa virei a página

Daquela história de dor

Queria ver outra ilustrada

Com mais brilho, luz e cor

Que tivesse sido escrita

Pela mão do próprio amor.


Nem tinha cicatrizado

Minha mais nova ferida

Vi uma moça encostada

Num poste da avenida

Vendendo seu próprio corpo

Pelas esquinas da vida.


Abrindo o botão da blusa

Rápido como um beija-flor

Veio em minha direção

Com um olhar sedutor

Me pedindo alguns reais

Por uma dose de amor.


Falei “Não”. Ela insistiu

Me pediu só um minuto

Tentando me convencer

Como um vendedor astuto

Expondo seu próprio corpo

Como se fosse um produto.


Sentindo que eu não queria

Depressa, foi se virando

Pois já tinha outro cliente 

No pé do poste, esperando

Ali eu deixei a jovem

Parti de alma chorando.


Me lembrei de Madalena 

Que fora mulher da vida

Mas teve sua salvação

Por sentir-se arrependida

Pedi a Deus que essa jovem

Um dia fosse redimida.


Quando cheguei mais adiante

Vi outra cena indecente

Um homem sendo xingado

De maneira prepotente

Só porque a cor do outro

Era da sua diferente.


Da boca daquele homem

Jorravam litros de fel 

Senti que seu coração

Guardava um ódio cruel

Um veneno bem maior

Do que tem a cascavel.


Lamentei por esse homem

Ter tanto ódio e rancor

Como quem sente prazer

Agia com tanto furor 

Apenas porque seu próximo

Divergia de sua cor.


Ver o mendigo e a criança

Nas ruas, partiu meu peito,

A mulher vendendo amor

Fiquei muito insatisfeito

Além do homem pisado

Pelos pés do preconceito.


Saí de cabeça baixa

Caminhando pensativo

Mais na frente vi um pai

Furioso e agressivo

Botando o filho pra fora

Porque era homoafetivo.


A mãe chorava num canto

Com o seu filho, agarrada

O marido, feito um bicho,

Vez em quando uma pancada

Ver o seu filho indo embora

Doía mais que a bofetada.


Com aquela triste cena

Fiquei ali, sem ação

Imóvel, mudo, tremendo

Completamente sem chão

Entrei na primeira igreja

Pra fazer uma oração.


Meus olhos não tinham brilho

Com o peito feito fel

Pensei: “A casa de Deus

É mais doce do que mel

Talvez aqui eu me livre

Deste mundo tão cruel.”


Mas foi ali que sofri

A pior decepção

Ao ver um “servo de Deus”

De Livro Santo na mão

Explorando a fé humana 

E vendendo salvação.


Depois da cena que vi

Quase morro de desgosto

Naquele templo sagrado

Notei o pecado exposto

De vergonha, vi o Cristo

Escondendo o próprio rosto.


Era pra ser um passeio

Pelas ruas da cidade

Mas voltei pra casa triste

Ao ver tanta impiedade

E fui dormir abraçado

Aos males da humanidade.











AS GUARDIÃS DO FUTURO

 

Autora: Kênia Diógenes



Eu cumpria o meu dever

A casa quase arrumada

Quando coisa desvairada

Veio então me acontecer

Espero que possa crer

Em história tão medonha

Não quero ser enfadonha

No que venho a relatar

Sugiro me acompanhar

Se gostar, então disponha.


Quando da primeira vez

Que tal fato aconteceu:

“- Tô maluca!”, pensei eu.

“Agora endoidei, talvez?”

Um barulho assim se fez

Junto com a ventania

E não mais reconhecia

O local em que me achava

Deus do céu! Onde eu estava?

Era no que eu refletia.


Não era minha cozinha 

Tal qual dois minutos antes

Cercada de caminhantes

Era onde eu me detinha

Não sabiam donde eu vinha

Com roupa tão diferente

Bata, burca, num sol quente

Aquele povo trajava

A palavra me faltava...

Ocorreu um “de repente”.


Um carro que estava vindo

Apinhado de menina

Quando fez curva na esquina

Correu um homem brandindo

Atirando e repetindo:

“- Mulher não deve estudar!

Estão todas a pecar!”

Eu sem ter o que fazer

Empurrei aquele ser

Que lá no chão foi parar.


Pois que nessa hora mesminha

Outra ventania deu

E no mesmo instante eu

Voltei pra minha casinha

Mas não compreendi nadinha

Fiquei numa confusão

Que diabos se deu então?

Só depois eu saberia

Acompanhe minha agonia

E entenda a minha missão.


Sem crer no que me ocorria

E sem falar pra ninguém

Uns dois anos mais além

A história se repetia

Pois de novo a ventania

Me jogava num banheiro

Tive que correr ligeiro

Pra tomada desligar

E aquela mulher salvar

Do destino derradeiro.


Aquela eu reconheci...

Era Maria da Penha

Cujo marido desdenha

Sua história conheci

Eis que ligeiro surgi

Pra salvar daquele mal

Mulher tão fenomenal

Que seria então um dia

E para muitas traria 

Esperança no final.


É certo que morreria

Pois já era cadeirante

Do tiro que o tal pedante

Meses antes proferia

E vendo que não morria

Tentou eletrocutar

Me fazendo então chegar

Vinda assim lá do futuro

Para tirá-la do escuro

Que seria o seu lugar.


Logo que fiquei ciente

De deixá-la então com vida

Iniciei a partida

De volta pro meu presente

Perturbada, mas contente

Pelo que eu havia feito

Mas sem entender direito

Como aquilo funcionava

O porquê que eu viajava

E voltava desse jeito.


Certo é que eu não escolhia

O momento de partir

E demorei a sentir

Por qual motivo que eu ia

Tentava, não entendia

Mas percebi “um padrão”

Salvar com a minha mão

Uma guerreira da história

Logo que alcançava a glória

Voltava pro meu “rojão”.


Até que um dia me vi

No meio de uma corrida

Os cavalos de partida

Em país longe daqui

Em ano que não vivi

Pois há muito tempo ido

A mulher com seu vestido

No cavalo se jogou 

Naquele instante a matou

Provocando um alarido


Eu fiquei sem entender

O que ali acontecia

Aquela que eu salvaria

Teve a morte sem me ver

Eu pude reconhecer

De um bom filme que assisti   

A sufragista que vi

Em mártir se tornaria

Émile Davison seria

Essa mulher que eu perdi.


E pensei que sua morte

Teria que acontecer

Pois o mundo pôde ver

Como teve mulher forte

Desafiou sua sorte

Por direito de votar

Também de representar

Aquelas por quem lutavam

Até suas vidas davam 

Pro sufrágio vigorar.


Mas não pude imaginar

O que eu fui ali fazer

Se vi a mulher morrer

Sem tempo nem de pensar

Não podendo ali ficar

Corri junto aquela gente

Tentando ficar ciente 

Do que me aconteceria

Para onde que eu iria?

Que fazer daí pra frente?


Bem oito dias passei

Na Inglaterra do passado

Caminhando lado a lado

Das mulheres que herdarei

Toda a garra que eu terei

No meu tempo lá na frente

Que ali naquele presente

Eu fui tão fundamental

Contarei o essencial

Seja um pouco paciente.


Ocorreu naquele dia

Oito, depois que cheguei

Com elas me acompanhei

Me juntando à gritaria

Emeline Pankhurst ia

Liderando a caminhada

Quando a guarda bem armada

Foi em sua direção

Me joguei com ela ao chão

Ajudando a debandada.


No estopim da correria

A ventania surgiu

Meu corpo logo sumiu

No momento da agonia

Naquele instante sentia

Um cansaço e uma certeza

Ter vivido com destreza

Bela parte dessa história

Em que guardo na memória

Com muita garra e leveza.


Uma semana passou

Fui chamada outra vez

Meu destino assim se fez

E ao México me levou

Junto à Frida me jogou

Ela mesma, grande artista!

Que acidente fatalista 

Acabara de ocorrer

Só me restou atender,

Dar uma de socorrista.


Muito tempo ali fiquei

Estancando o sangramento

Tentando lhe dar alento

Até histórias contei

Seu futuro vislumbrei

Sem nada comprometer

Falei que ela iria ser

Uma mulher importante

Sendo que naquele instante

Restava sobreviver.


Quando o socorro chegou

Caminhei bem lentamente

Me afastando lá da gente

Que muito se acumulou

E meu corpo evaporou

Junto da poeira fina

Retornei pra minha sina

De mulher, mãe, professora

Também colaboradora

Da mudança feminina.  


Se ainda quiser saber

A primeira dessa história

Não me falhando a memória

Essa ficou por dizer

Se você puder me crer

Era Malala no carro

Com tal homem num esbarro

Tiro frontal, mas errou

E a menina se tornou

Um exemplo a quem me agarro.


Muitas vezes fui levada

A Cumprir esse dever

Sem nunca poder saber

Por que EU nessa jornada

Mas fiquei lisonjeada

E com todo amor segui

Quando certo dia vi

Outra mulher como eu

Foi então que me ocorreu

Que outras tinham por aí.


Fomos muitas viajantes

No tempo, na nossa história

Tivemos dias de glória

E dias desconcertantes

Fomos a datas distantes

Outras nem tão longe assim

Já vislumbrei zepelim

Homem bomba, diamantes

Já perdi mulheres antes

Passei muita coisa ruim.


Não foram só essas não

As mulheres dessa história

Já salvei Maria, Glória

Tantas que cedi a mão

Ajudei na depressão

Dando abraços muito forte

Outras lhes mostrando um Norte

Com palavras de amizade

Foi só com sororidade  

Que mantive tanta sorte.


Essa história foi inspirada no livro “Kindred: Laços de Sangue”, considerada a dama da ficção científica, Octávia Butler escreveu essa história potente e muito triste mas que me inspirou justamente dando uma visão mais esperançosa das viagens no tempo. Também me inspirei na série brasileira “Angelus”, cujos anjos da guarda estão à todo momento salvando pessoas de fins trágicos. Gostei de me ver como um anjo da guarda das mulheres que fundamentaram a minha própria história.
















sexta-feira, 27 de março de 2026

Poesia Mariolincolniana 

  



Querido e amado mestre, Mhario Lincoln, você 

não apenas escreve versos, você os planta

no mais profundo solo das nossas almas e dos nossos corações.

Chamo de poesia Mariolincolniana

essa força que não pede licença, mas

que invade o peito,

Deixando com leveza  a consciência.

É verso com gosto de maresia, de brisa leve, do orvalho da manhã.

É força que transforma a dor em poesia erguida, deixando o ser ora inquieto pelas palpitações provocadas em nosso ser pelo incontestável sabor dos seus versos, ora completamente leve, tranquilo,  degustando uma paz que nos parece infinita.

Em suas obras, encontro o poeta intrinsecamente apaixonado pela vida, encontro o cronista sábio e atento a cada fato que sucede a sua volta. Encontro o advogado brilhante, o jornalista das verdades cruas,

o músico das emoções mais audíveis. E o mais encantador é quando encontro o menino de coração puro, de alma leve.

Seus poemas não se limitam aos papéis,

eles vibram, respiram, ressoam, são palavras que dançam ao vento e que no silêncio também ecoam.

Ah, que delícia é ler seus versos…

Confesso, sem medo ou medida:

seus versos são meu deleite,

são semelhantes ao vinho raro, mas servido em estrofes,

são como o pão quente na mesa da vida.

Cada verso é um convite à entrega,

cada rima é um abraço certeiro,

cada pausa é um sussurro da alma

que nos chama por dentro inteiro.

Mariolincolniana sim, eu digo e repito,

é poesia que marca e permanece,

que não passa leve e esquecida,

mas finca raízes… e cresce.

É farol em meio à escuridão,

é chama que insiste em arder, mas não se consome, porque é arte eterna que ensina a viver.

E assim sigo, sendo leitora e aprendiz,

bebendo dessa fonte encantada,

onde Mhario faz do verbo um milagre

e da vida a poesia eternizada.


Parabéns pelo seu aniversário, amado mestre Mhario Lincoln.


Esmeralda Costa

terça-feira, 24 de março de 2026

A Força da Mulher Campossalense

 Esmeralda Costa 



(Ilustração da capa: Igreja Matriz e imagem de Nossa Senhora da Penha, são esferogravuras de Pádua de Queiroz (Baturité-CE). Demais elementos acrescentados com recursos de IA).



Peço ao Supremo Poeta

A divina inspiração 

Para escrever um cordel 

Com rima e com oração 

Para exaltar a mulher 

Seu exemplo e profissão.


A mulher campossalense 

Ela é verso e poesia

E quando canta ela traz

A mais doce melodia

Com sua força ela inspira

Dia e  noite, noite e dia.


Seu verso vem da grandeza

Do seu coração materno

Que se doa pelo filho 

Com amor puro e eterno

Segue o exemplo de Maria

A mãe de Deus Sempiterno.


O Bom Deus é testemunha 

Da força dessa mulher 

Enfrentando os desafios 

Que a nossa história requer

Mostrando que o seu lugar

Ela faz onde quiser.


Tem a mulher professora 

Espalhando o seu saber

E ensinando gerações 

A sonhar e a crescer 

Plantando no chão da escola

Mil futuros vão nascer.


Tem doutora e enfermeira 

Cuidando com devoção 

No hospital ou UBS

Aliviando a aflição 

Com mãos firmes e bondosas

Salvam vidas neste chão.


Semeando as esperanças 

Tem mulher agricultora 

Que conhece o nosso chão 

Faz a terra produtora

Tira dela o seu sustento

Com coragem promissora.


Tem mulher publicitária 

Divulgando com talento

Os valores da cidade

E conquista o povo atento

Com ideias que dão vida

Ao trabalho e ao pensamento.


Tem mulher esteticista

Cuidando da autoestima 

Com carinho e paciência 

Traz a beleza que anima

Mostra que cuidar de si

Fortalece nossa estima.


Manicure cuidadosa

Trabalha com atenção 

Tem fotógrafa sensível 

Que registra com paixão 

Transformando cada imagem

Em memória e emoção.


Artesã habilidosa 

Que trabalha com primor

Entre linhas, palhas, cores

Vai tecendo seu valor

E faz da arte nordestina 

Retrato de muito amor.


Comerciante aguerrida 

Que trabalha sem parar 

No balcão do seu negócio 

Sempre pronta pra ajudar

Faz da luta do comércio 

Outro jeito de brilhar.


Policial vigilante

Protege a população 

Vai enfrentando os perigos 

Com coragem e atenção 

Mostra a força feminina 

Cuidando da região.


Costureira dedicada 

Que costura com amor

Com a máquina companheira 

Nesse importante labor

Veste de sonhos a gente 

Com talento e com ardor.


Tem mulher vereadora

Defendendo a nossa gente 

No debate e na tribuna 

Sua voz é competente

Trabalhando por justiça 

E um futuro diferente.


A tradutora de Libras

Leva a comunicação 

Ela é muito dedicada

E traduz cada expressão 

Abre portas ao diálogo 

Com respeito e inclusão.


Trabalha nossa dentista 

Com toda dedicação 

Cuida de cada sorriso 

Com bastante precisão 

Mostrando sabedoria 

Na tão nobre profissão.


A mulher radialista

Leva sua voz ao ar

Notícia, música e cultura 

Para o povo escutar

Com palavra verdadeira 

Ela bem sabe informar.


Tem artista e poetisa

Que escreve de prontidão 

Da cultura nordestina 

Ela segue a tradição 

Dando voz à nossa história 

Com carinho e emoção.


Tem mulher religiosa 

Que ao Bom Deus é consagrada

Segue sua profissão 

Sendo freira dedicada 

São filhas de Caterina

Volpicelli tão amada.


Tem mulher advogada 

Defendendo o cidadão 

Com a lei por ferramenta 

E a justiça na missão 

Ergue a voz quando é preciso 

Contra toda opressão.


Mulher empreendedora 

Inventa seu caminhar 

E com criatividade 

Faz seu sonho prosperar 

Mostrando que independência 

Ela sabe conquistar.


Tem a mulher funcionária 

Servindo à população 

Com trabalho e compromisso 

Na escola ou repartição 

Construindo todo dia

Um futuro mais irmão.


Também tem a mãe guerreira 

Ela sustenta o seu lar

Educando com firmeza 

Sem jamais desanimar

Pois no colo de uma mãe 

Sempre mora o verbo amar.


Tem a mototaxista 

Que conhece o nosso chão 

No calor do meio dia 

Ou na pressa do sertão 

Leva o povo com coragem 

Pelas ruas do sertão.


Mulher fisioterapeuta 

Ajudando a reerguer 

Quem sofreu dor e fraqueza 

Tem ajuda pra vencer 

Com paciência e cuidado 

Faz o corpo renascer.


Tem a mulher garçonete 

Servindo com atenção 

No restaurante ou na festa 

Sempre pronta na missão 

Mostrando com seu esforço 

O valor da profissão.


Tem a mulher sanfoneira 

Que faz o fole chorar

Tocando forró e xote

Faz o povo se alegrar

Seu talento nordestino

Faz a cultura vibrar.


Tiro sempre o meu chapéu 

Pra mulher do meu torrão 

É dela que nasce a força 

Que sustenta a região 

Seu trabalho escreve a história 

Com coragem e emoção.


Psicóloga, Vaqueira

Ou também nutricionista

Pedagoga e camelô

Merendeira e musicista

Salve a mulher operária

Vendedora e jornalista.


A voz da mulher cantora

Não podemos esquecer 

Mulher fonoaudióloga

Dedicada pra valer

E viva a mulher rendeira

Com sua arte de tecer.


Mulher tem exemplo forte

De Bárbara de Alencar 

Que buscou a liberdade 

No agir e no falar 

Mostrando que sua força 

Faz a terra germinar.


Seja em casa ou no trabalho 

No campo e também cidade

Na cultura ou na política 

Está com intensidade 

Na saúde ou no comércio 

Mulher tem identidade.


Sou mulher campossalense 

Digo com toda verdade 

Carrego com muito orgulho

Minha naturalidade

E onde o meu verso chegar

Chega junto esta cidade.


As Mulheres desta terra

Dela devem se orgulhar 

É terra onde a heroína

Escolheu pra repousar 

Suas forças, suas vozes

Constroem nosso lugar.


Que este cordel seja canto 

De respeito e gratidão 

À mulher que move a vida

Com sua dedicação 

Pois quando a mulher se ergue

Levanta toda a nação.




O Menino Que Sonhou Ser Um Soldado

 Lucivânio Correia  Menino que é menino Sonha desde o seu nascer Cresce sonhando em crescer Para não ser pequenino E às vezes o seu destino ...