domingo, 29 de março de 2026

Retratos da Humanidade

 


João Rodrigues (Reriutaba – Ceará) 






Certa noite, na calçada

Eu vi despontar a lua

Toda banhada de prata

Sem pudor e toda nua

Aquilo foi um convite

Para passear na rua.


Saí bem despreocupado

Tanto quanto um vagabundo

Daqueles que nunca pensam

Que há problemas no mundo

Queria deixar de pensar

Ao menos por um segundo.


Com a noite me beijando

A lua por companhia

Com as estrelas sorrindo

O vento numa alegria

Sussurrava em meu ouvido

Verso, rima e poesia.


Feito uma folha no vento

Saí andando à vontade

Sem rumo, sem direção

Pelas ruas da cidade

Pois eu queria esquecer

Dos males da humanidade.


Passando sob a marquise

Vi, assentado no chão,

Um trapo imundo de homem

Pra mim estendeu a mão:

“Senhor, me dê um real,

Ou um pedaço de pão”.



O meu encanto quebrou-se

Voltei à realidade

Ao ver um resto de homem

Servo da necessidade

Sentado aos pés da miséria

Implorando caridade.


Um olhar de sofrimento

Nem parecia de humano

O corpo magro coberto

Com umas tiras de pano

Como se não fosse feito

Pelas mãos do Soberano.


Ao atender seu pedido

Segui minha caminhada

E para esquecer do caso

Apressei minha passada

A fim de curtir a noite

Entrando na madrugada.


Vi o Cruzeiro do Sul

Acenando pra Plutão

Com os olhos passeei

Por outra constelação

De repente, uma criança

Veio em minha direção.


De mais ou menos dez anos

Vinha aquela criatura

Pequena, frágil, sofrida

Vestida de amargura

Parecendo a própria fome

Pintada numa moldura.


Era um fantasma de gente

Tentou sorrir ao me ver

De alma triste, abatida,

Talvez de tanto sofrer

Com voz fraca, disse: “Tio,

Me dê algo pra comer.”


Olhei praquela criança

Era pra tá na escola

Ter uma cama e comida

Ter família, jogar bola...

Mas andava pelas ruas

Com fome, pedindo esmola.


A pena invadiu meu peito

Rasgando meu coração

Meti a mão no meu bolso

Arrastei algum tostão

Ficou bastante feliz

Quando estendi minha mão.


Olhou e me agradeceu

Sem nenhuma falsidade

Saiu pulando e correndo

Pelas ruas da cidade

Parecia ter encontrado

A própria felicidade.


Senti a alma chorando

Mas foi só por um momento

Procurei olhar pra lua

Sentir o canto do vento...

Afinal, fui passear...

Esquecer o sofrimento.


Depressa virei a página

Daquela história de dor

Queria ver outra ilustrada

Com mais brilho, luz e cor

Que tivesse sido escrita

Pela mão do próprio amor.


Nem tinha cicatrizado

Minha mais nova ferida

Vi uma moça encostada

Num poste da avenida

Vendendo seu próprio corpo

Pelas esquinas da vida.


Abrindo o botão da blusa

Rápido como um beija-flor

Veio em minha direção

Com um olhar sedutor

Me pedindo alguns reais

Por uma dose de amor.


Falei “Não”. Ela insistiu

Me pediu só um minuto

Tentando me convencer

Como um vendedor astuto

Expondo seu próprio corpo

Como se fosse um produto.


Sentindo que eu não queria

Depressa, foi se virando

Pois já tinha outro cliente 

No pé do poste, esperando

Ali eu deixei a jovem

Parti de alma chorando.


Me lembrei de Madalena 

Que fora mulher da vida

Mas teve sua salvação

Por sentir-se arrependida

Pedi a Deus que essa jovem

Um dia fosse redimida.


Quando cheguei mais adiante

Vi outra cena indecente

Um homem sendo xingado

De maneira prepotente

Só porque a cor do outro

Era da sua diferente.


Da boca daquele homem

Jorravam litros de fel 

Senti que seu coração

Guardava um ódio cruel

Um veneno bem maior

Do que tem a cascavel.


Lamentei por esse homem

Ter tanto ódio e rancor

Como quem sente prazer

Agia com tanto furor 

Apenas porque seu próximo

Divergia de sua cor.


Ver o mendigo e a criança

Nas ruas, partiu meu peito,

A mulher vendendo amor

Fiquei muito insatisfeito

Além do homem pisado

Pelos pés do preconceito.


Saí de cabeça baixa

Caminhando pensativo

Mais na frente vi um pai

Furioso e agressivo

Botando o filho pra fora

Porque era homoafetivo.


A mãe chorava num canto

Com o seu filho, agarrada

O marido, feito um bicho,

Vez em quando uma pancada

Ver o seu filho indo embora

Doía mais que a bofetada.


Com aquela triste cena

Fiquei ali, sem ação

Imóvel, mudo, tremendo

Completamente sem chão

Entrei na primeira igreja

Pra fazer uma oração.


Meus olhos não tinham brilho

Com o peito feito fel

Pensei: “A casa de Deus

É mais doce do que mel

Talvez aqui eu me livre

Deste mundo tão cruel.”


Mas foi ali que sofri

A pior decepção

Ao ver um “servo de Deus”

De Livro Santo na mão

Explorando a fé humana 

E vendendo salvação.


Depois da cena que vi

Quase morro de desgosto

Naquele templo sagrado

Notei o pecado exposto

De vergonha, vi o Cristo

Escondendo o próprio rosto.


Era pra ser um passeio

Pelas ruas da cidade

Mas voltei pra casa triste

Ao ver tanta impiedade

E fui dormir abraçado

Aos males da humanidade.











AS GUARDIÃS DO FUTURO

 

Autora: Kênia Diógenes



Eu cumpria o meu dever

A casa quase arrumada

Quando coisa desvairada

Veio então me acontecer

Espero que possa crer

Em história tão medonha

Não quero ser enfadonha

No que venho a relatar

Sugiro me acompanhar

Se gostar, então disponha.


Quando da primeira vez

Que tal fato aconteceu:

“- Tô maluca!”, pensei eu.

“Agora endoidei, talvez?”

Um barulho assim se fez

Junto com a ventania

E não mais reconhecia

O local em que me achava

Deus do céu! Onde eu estava?

Era no que eu refletia.


Não era minha cozinha 

Tal qual dois minutos antes

Cercada de caminhantes

Era onde eu me detinha

Não sabiam donde eu vinha

Com roupa tão diferente

Bata, burca, num sol quente

Aquele povo trajava

A palavra me faltava...

Ocorreu um “de repente”.


Um carro que estava vindo

Apinhado de menina

Quando fez curva na esquina

Correu um homem brandindo

Atirando e repetindo:

“- Mulher não deve estudar!

Estão todas a pecar!”

Eu sem ter o que fazer

Empurrei aquele ser

Que lá no chão foi parar.


Pois que nessa hora mesminha

Outra ventania deu

E no mesmo instante eu

Voltei pra minha casinha

Mas não compreendi nadinha

Fiquei numa confusão

Que diabos se deu então?

Só depois eu saberia

Acompanhe minha agonia

E entenda a minha missão.


Sem crer no que me ocorria

E sem falar pra ninguém

Uns dois anos mais além

A história se repetia

Pois de novo a ventania

Me jogava num banheiro

Tive que correr ligeiro

Pra tomada desligar

E aquela mulher salvar

Do destino derradeiro.


Aquela eu reconheci...

Era Maria da Penha

Cujo marido desdenha

Sua história conheci

Eis que ligeiro surgi

Pra salvar daquele mal

Mulher tão fenomenal

Que seria então um dia

E para muitas traria 

Esperança no final.


É certo que morreria

Pois já era cadeirante

Do tiro que o tal pedante

Meses antes proferia

E vendo que não morria

Tentou eletrocutar

Me fazendo então chegar

Vinda assim lá do futuro

Para tirá-la do escuro

Que seria o seu lugar.


Logo que fiquei ciente

De deixá-la então com vida

Iniciei a partida

De volta pro meu presente

Perturbada, mas contente

Pelo que eu havia feito

Mas sem entender direito

Como aquilo funcionava

O porquê que eu viajava

E voltava desse jeito.


Certo é que eu não escolhia

O momento de partir

E demorei a sentir

Por qual motivo que eu ia

Tentava, não entendia

Mas percebi “um padrão”

Salvar com a minha mão

Uma guerreira da história

Logo que alcançava a glória

Voltava pro meu “rojão”.


Até que um dia me vi

No meio de uma corrida

Os cavalos de partida

Em país longe daqui

Em ano que não vivi

Pois há muito tempo ido

A mulher com seu vestido

No cavalo se jogou 

Naquele instante a matou

Provocando um alarido


Eu fiquei sem entender

O que ali acontecia

Aquela que eu salvaria

Teve a morte sem me ver

Eu pude reconhecer

De um bom filme que assisti   

A sufragista que vi

Em mártir se tornaria

Émile Davison seria

Essa mulher que eu perdi.


E pensei que sua morte

Teria que acontecer

Pois o mundo pôde ver

Como teve mulher forte

Desafiou sua sorte

Por direito de votar

Também de representar

Aquelas por quem lutavam

Até suas vidas davam 

Pro sufrágio vigorar.


Mas não pude imaginar

O que eu fui ali fazer

Se vi a mulher morrer

Sem tempo nem de pensar

Não podendo ali ficar

Corri junto aquela gente

Tentando ficar ciente 

Do que me aconteceria

Para onde que eu iria?

Que fazer daí pra frente?


Bem oito dias passei

Na Inglaterra do passado

Caminhando lado a lado

Das mulheres que herdarei

Toda a garra que eu terei

No meu tempo lá na frente

Que ali naquele presente

Eu fui tão fundamental

Contarei o essencial

Seja um pouco paciente.


Ocorreu naquele dia

Oito, depois que cheguei

Com elas me acompanhei

Me juntando à gritaria

Emeline Pankhurst ia

Liderando a caminhada

Quando a guarda bem armada

Foi em sua direção

Me joguei com ela ao chão

Ajudando a debandada.


No estopim da correria

A ventania surgiu

Meu corpo logo sumiu

No momento da agonia

Naquele instante sentia

Um cansaço e uma certeza

Ter vivido com destreza

Bela parte dessa história

Em que guardo na memória

Com muita garra e leveza.


Uma semana passou

Fui chamada outra vez

Meu destino assim se fez

E ao México me levou

Junto à Frida me jogou

Ela mesma, grande artista!

Que acidente fatalista 

Acabara de ocorrer

Só me restou atender,

Dar uma de socorrista.


Muito tempo ali fiquei

Estancando o sangramento

Tentando lhe dar alento

Até histórias contei

Seu futuro vislumbrei

Sem nada comprometer

Falei que ela iria ser

Uma mulher importante

Sendo que naquele instante

Restava sobreviver.


Quando o socorro chegou

Caminhei bem lentamente

Me afastando lá da gente

Que muito se acumulou

E meu corpo evaporou

Junto da poeira fina

Retornei pra minha sina

De mulher, mãe, professora

Também colaboradora

Da mudança feminina.  


Se ainda quiser saber

A primeira dessa história

Não me falhando a memória

Essa ficou por dizer

Se você puder me crer

Era Malala no carro

Com tal homem num esbarro

Tiro frontal, mas errou

E a menina se tornou

Um exemplo a quem me agarro.


Muitas vezes fui levada

A Cumprir esse dever

Sem nunca poder saber

Por que EU nessa jornada

Mas fiquei lisonjeada

E com todo amor segui

Quando certo dia vi

Outra mulher como eu

Foi então que me ocorreu

Que outras tinham por aí.


Fomos muitas viajantes

No tempo, na nossa história

Tivemos dias de glória

E dias desconcertantes

Fomos a datas distantes

Outras nem tão longe assim

Já vislumbrei zepelim

Homem bomba, diamantes

Já perdi mulheres antes

Passei muita coisa ruim.


Não foram só essas não

As mulheres dessa história

Já salvei Maria, Glória

Tantas que cedi a mão

Ajudei na depressão

Dando abraços muito forte

Outras lhes mostrando um Norte

Com palavras de amizade

Foi só com sororidade  

Que mantive tanta sorte.


Essa história foi inspirada no livro “Kindred: Laços de Sangue”, considerada a dama da ficção científica, Octávia Butler escreveu essa história potente e muito triste mas que me inspirou justamente dando uma visão mais esperançosa das viagens no tempo. Também me inspirei na série brasileira “Angelus”, cujos anjos da guarda estão à todo momento salvando pessoas de fins trágicos. Gostei de me ver como um anjo da guarda das mulheres que fundamentaram a minha própria história.
















sexta-feira, 27 de março de 2026

Poesia Mariolincolniana 

  



Querido e amado mestre, Mhario Lincoln, você 

não apenas escreve versos, você os planta

no mais profundo solo das nossas almas e dos nossos corações.

Chamo de poesia Mariolincolniana

essa força que não pede licença, mas

que invade o peito,

Deixando com leveza  a consciência.

É verso com gosto de maresia, de brisa leve, do orvalho da manhã.

É força que transforma a dor em poesia erguida, deixando o ser ora inquieto pelas palpitações provocadas em nosso ser pelo incontestável sabor dos seus versos, ora completamente leve, tranquilo,  degustando uma paz que nos parece infinita.

Em suas obras, encontro o poeta intrinsecamente apaixonado pela vida, encontro o cronista sábio e atento a cada fato que sucede a sua volta. Encontro o advogado brilhante, o jornalista das verdades cruas,

o músico das emoções mais audíveis. E o mais encantador é quando encontro o menino de coração puro, de alma leve.

Seus poemas não se limitam aos papéis,

eles vibram, respiram, ressoam, são palavras que dançam ao vento e que no silêncio também ecoam.

Ah, que delícia é ler seus versos…

Confesso, sem medo ou medida:

seus versos são meu deleite,

são semelhantes ao vinho raro, mas servido em estrofes,

são como o pão quente na mesa da vida.

Cada verso é um convite à entrega,

cada rima é um abraço certeiro,

cada pausa é um sussurro da alma

que nos chama por dentro inteiro.

Mariolincolniana sim, eu digo e repito,

é poesia que marca e permanece,

que não passa leve e esquecida,

mas finca raízes… e cresce.

É farol em meio à escuridão,

é chama que insiste em arder, mas não se consome, porque é arte eterna que ensina a viver.

E assim sigo, sendo leitora e aprendiz,

bebendo dessa fonte encantada,

onde Mhario faz do verbo um milagre

e da vida a poesia eternizada.


Parabéns pelo seu aniversário, amado mestre Mhario Lincoln.


Esmeralda Costa

terça-feira, 24 de março de 2026

A Força da Mulher Campossalense

 Esmeralda Costa 



(Ilustração da capa: Igreja Matriz e imagem de Nossa Senhora da Penha, são esferogravuras de Pádua de Queiroz (Baturité-CE). Demais elementos acrescentados com recursos de IA).



Peço ao Supremo Poeta

A divina inspiração 

Para escrever um cordel 

Com rima e com oração 

Para exaltar a mulher 

Seu exemplo e profissão.


A mulher campossalense 

Ela é verso e poesia

E quando canta ela traz

A mais doce melodia

Com sua força ela inspira

Dia e  noite, noite e dia.


Seu verso vem da grandeza

Do seu coração materno

Que se doa pelo filho 

Com amor puro e eterno

Segue o exemplo de Maria

A mãe de Deus Sempiterno.


O Bom Deus é testemunha 

Da força dessa mulher 

Enfrentando os desafios 

Que a nossa história requer

Mostrando que o seu lugar

Ela faz onde quiser.


Tem a mulher professora 

Espalhando o seu saber

E ensinando gerações 

A sonhar e a crescer 

Plantando no chão da escola

Mil futuros vão nascer.


Tem doutora e enfermeira 

Cuidando com devoção 

No hospital ou UBS

Aliviando a aflição 

Com mãos firmes e bondosas

Salvam vidas neste chão.


Semeando as esperanças 

Tem mulher agricultora 

Que conhece o nosso chão 

Faz a terra produtora

Tira dela o seu sustento

Com coragem promissora.


Tem mulher publicitária 

Divulgando com talento

Os valores da cidade

E conquista o povo atento

Com ideias que dão vida

Ao trabalho e ao pensamento.


Tem mulher esteticista

Cuidando da autoestima 

Com carinho e paciência 

Traz a beleza que anima

Mostra que cuidar de si

Fortalece nossa estima.


Manicure cuidadosa

Trabalha com atenção 

Tem fotógrafa sensível 

Que registra com paixão 

Transformando cada imagem

Em memória e emoção.


Artesã habilidosa 

Que trabalha com primor

Entre linhas, palhas, cores

Vai tecendo seu valor

E faz da arte nordestina 

Retrato de muito amor.


Comerciante aguerrida 

Que trabalha sem parar 

No balcão do seu negócio 

Sempre pronta pra ajudar

Faz da luta do comércio 

Outro jeito de brilhar.


Policial vigilante

Protege a população 

Vai enfrentando os perigos 

Com coragem e atenção 

Mostra a força feminina 

Cuidando da região.


Costureira dedicada 

Que costura com amor

Com a máquina companheira 

Nesse importante labor

Veste de sonhos a gente 

Com talento e com ardor.


Tem mulher vereadora

Defendendo a nossa gente 

No debate e na tribuna 

Sua voz é competente

Trabalhando por justiça 

E um futuro diferente.


A tradutora de Libras

Leva a comunicação 

Ela é muito dedicada

E traduz cada expressão 

Abre portas ao diálogo 

Com respeito e inclusão.


Trabalha nossa dentista 

Com toda dedicação 

Cuida de cada sorriso 

Com bastante precisão 

Mostrando sabedoria 

Na tão nobre profissão.


A mulher radialista

Leva sua voz ao ar

Notícia, música e cultura 

Para o povo escutar

Com palavra verdadeira 

Ela bem sabe informar.


Tem artista e poetisa

Que escreve de prontidão 

Da cultura nordestina 

Ela segue a tradição 

Dando voz à nossa história 

Com carinho e emoção.


Tem mulher religiosa 

Que ao Bom Deus é consagrada

Segue sua profissão 

Sendo freira dedicada 

São filhas de Caterina

Volpicelli tão amada.


Tem mulher advogada 

Defendendo o cidadão 

Com a lei por ferramenta 

E a justiça na missão 

Ergue a voz quando é preciso 

Contra toda opressão.


Mulher empreendedora 

Inventa seu caminhar 

E com criatividade 

Faz seu sonho prosperar 

Mostrando que independência 

Ela sabe conquistar.


Tem a mulher funcionária 

Servindo à população 

Com trabalho e compromisso 

Na escola ou repartição 

Construindo todo dia

Um futuro mais irmão.


Também tem a mãe guerreira 

Ela sustenta o seu lar

Educando com firmeza 

Sem jamais desanimar

Pois no colo de uma mãe 

Sempre mora o verbo amar.


Tem a mototaxista 

Que conhece o nosso chão 

No calor do meio dia 

Ou na pressa do sertão 

Leva o povo com coragem 

Pelas ruas do sertão.


Mulher fisioterapeuta 

Ajudando a reerguer 

Quem sofreu dor e fraqueza 

Tem ajuda pra vencer 

Com paciência e cuidado 

Faz o corpo renascer.


Tem a mulher garçonete 

Servindo com atenção 

No restaurante ou na festa 

Sempre pronta na missão 

Mostrando com seu esforço 

O valor da profissão.


Tem a mulher sanfoneira 

Que faz o fole chorar

Tocando forró e xote

Faz o povo se alegrar

Seu talento nordestino

Faz a cultura vibrar.


Tiro sempre o meu chapéu 

Pra mulher do meu torrão 

É dela que nasce a força 

Que sustenta a região 

Seu trabalho escreve a história 

Com coragem e emoção.


Psicóloga, Vaqueira

Ou também nutricionista

Pedagoga e camelô

Merendeira e musicista

Salve a mulher operária

Vendedora e jornalista.


A voz da mulher cantora

Não podemos esquecer 

Mulher fonoaudióloga

Dedicada pra valer

E viva a mulher rendeira

Com sua arte de tecer.


Mulher tem exemplo forte

De Bárbara de Alencar 

Que buscou a liberdade 

No agir e no falar 

Mostrando que sua força 

Faz a terra germinar.


Seja em casa ou no trabalho 

No campo e também cidade

Na cultura ou na política 

Está com intensidade 

Na saúde ou no comércio 

Mulher tem identidade.


Sou mulher campossalense 

Digo com toda verdade 

Carrego com muito orgulho

Minha naturalidade

E onde o meu verso chegar

Chega junto esta cidade.


As Mulheres desta terra

Dela devem se orgulhar 

É terra onde a heroína

Escolheu pra repousar 

Suas forças, suas vozes

Constroem nosso lugar.


Que este cordel seja canto 

De respeito e gratidão 

À mulher que move a vida

Com sua dedicação 

Pois quando a mulher se ergue

Levanta toda a nação.




sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Mulher, Força e Respeito




Esmeralda Costa 


Ao raiar de cada dia,

Ela luta sem temer,

Com coragem, inteligência,

Segue firme a florescer,

Dá amor, sabedoria,

E jamais vai se render.


No sertão ou na cidade,

Seja jovem ou anciã,

Constrói sonhos com carinho,

Tem a força da manhã,

Sua voz nunca se cala,

Brilha mais que talismã.


É guerreira destemida,

Transformando o seu redor,

Enfrentando a injustiça,

Com olhar sempre melhor,

Sua história é resistência,

Feita em luta e em suor.


Quebrando todo o machismo,

Preconceito e opressão,

Faz valer a liberdade,

Segue firme em sua missão,

Pois merece cada espaço,

E respeito em profusão.


Não há quem possa medir

Sua força ou seu afeto,

Ela muda o amanhã

Com saber puro e completo,

E reclama seu direito

Com um passo sempre reto.


Mulher símbolo de luta

Que pra tudo dá um jeito

E na sua arte de amar

É amor mais que perfeito

Seja cisgênero ou trans,

Mulher merece respeito.


Ela carrega em seus braços

O futuro da nação,

Entre livros e trabalhos,

Faz dos sonhos construção,

Multiplica a esperança

Com coragem e precisão.


Se lhe negam algum passo,

Faz da queda elevação,

Ergue o rosto e segue em frente

Com segura decisão,

Mostra ao mundo que a vitória

Nasce da superação.


Na ciência ou na roça,

No trabalho ou em seu lar,

É presença que transforma

Cada espaço em um lugar,

Onde brota a igualdade

Pra justiça então reinar.


Com palavra bem firmada

E um sorriso acolhedor,

Ela ensina pelo exemplo

O sentido do valor,

Pois respeito se conquista

Com verdade e com amor.


Quando ergue sua bandeira

Por direitos e inclusão,

Move montes, move mentes,

Toca fundo o coração,

Faz da luta um grande elo

De coragem, de união.


Se tentarem seu silêncio,

Ela canta em alta voz,

Pois conhece a própria história

Não se rende ao seu algoz,

Traz a força das raízes

Tão confiante e veloz.


Mãe, irmã, filha ou amiga,

Companheira na jornada,

É presença que ilumina

Mesmo em noite atribulada,

Faz da dor aprendizado

E da fé sua morada.


Nos caminhos da cultura,

Na poesia ou canção,

Deixa marcas de ternura

E também revolução,

Sua arte é resistência

Que atravessa geração.


Quando ocupa seu espaço

Com talento e direção,

Mostra ao mundo que igualdade

Não é simples intenção,

É direito garantido

Pela própria condição.


Seja preta, branca ou parda,

Nativa ou imigrante,

Toda mulher tem direito

De viver sonho gigante,

Sem temer qualquer violência

Ou olhar discriminante.


No espelho se reconhece

Com orgulho e identidade,

Celebra suas conquistas

Com amor, dignidade,

Pois ser livre é sua essência,

Seu caminho é liberdade.


Se trabalha noite e dia,

Nunca perde a emoção,

Equilibra mil tarefas

Com tanta dedicação,

Faz do tempo um aliado

Na constante construção.


Quando estuda, quando ensina,

Abre portas para o bem,

Planta ideias transformadas

Que florescem mais além,

Pois mulher que tem acesso

Muda o caminho de alguém.


Quando enfrenta julgamento

Ou palavra de desdém,

Responde com elegância

Semeando sempre o bem,

Pois respeito é exigência

Que em cada lugar convém.


Na política ou na arte,

Na justiça ou direção,

Mostra pulso e competência

Com segura atuação,

Faz da ética seu norte

E do povo inspiração.


Se carrega cicatrizes

De uma história desigual,

Faz delas prova de força

Num discurso essencial,

Transformando cada marca

Em exemplo universal.

sexta-feira, 31 de outubro de 2025

Poesia, Dom Divino em Meu Viver

 



Esmeralda Costa 


Poesia é dom divino,

Que nasceu pra iluminar,

É perfume de saudade,

É canção para escutar,

É ternura em cada verso,

Que convida para amar.


Ela chega de mansinho,

Feito brisa em calmaria,

E desperta no silêncio

Qual milagre de alegria,

Traduzindo o que é sentir,

Transformando em melodia.


Poesia, ar que respiro,

Ar que quero respirar,

Quando falo, me sustento,

Nela encontro o meu cantar,

Meu suspiro ganha vida,

Quando começo a rimar.


Poesia é voz da alma,

Sussurrando ao coração,

Tem doçura que consola,

Traz encanto e emoção,

É remédio para a dor,

Luz em meio à escuridão.


Nos caminhos da palavra,

Eu encontro companhia,

Cada verso é um abraço,

Que conforta e contagia,

É milagre disfarçado

De ternura e poesia.


Viajar por mil estradas,

Com desejo e confiança,

Descobrir novos caminhos,

Com verdades e esperança,

A poesia me conduz,

Nos caminhos da bonança.


É semente que germina

No terreno da emoção,

Brota fé, amor e vida

Dentro do meu coração,

E se espalha feito luz

Na mais pura inspiração.


Em palavras tão singelas,

Ela brilha e se revela,

É um dom que vem do céu,

É a luz mais pura e bela,

Traz conforto e fé na vida,

Feito rima, tão singela.


Poesia é alimento,

Fé, quietação e calor,

É caminho, é sentimento,

É saudade e é louvor,

Quem a sente dentro d’alma,

Sente o dom do Criador.


Assim sigo poetando,

Tudo que minh’alma atesta,

Cada verso é uma prece

Que no coração se gesta,

Pois quem vive a poesia,

Faz do amor intensa festa.


Poesia é chama viva,

Que ilumina o coração,

É abrigo do aflito,

É consolo e oração,

Tem sabor de eternidade,

E um toque de gratidão.


É ternura que desperta,

O olhar para o infinito,

É saudade que se acalma,

No silêncio mais bonito,

É a voz do pensamento,

Em seu tom manso e bendito.


É menina sonhadora,

Que no tempo vai brincar,

Colorindo a madrugada,

Com estrelas a brilhar,

Feito chuva que acarinha

Cada flor do meu lugar.


É a ponte entre dois mundos,

Realidade e ficção,

Une o sonho e a lembrança,

Na mais completa emoção,

É o eco da esperança

Que floresce em cada mão.


Poesia é força mansa,

Que nos faz acreditar,

Mesmo quando a dor insiste,

Ela vem nos acalmar,

E na lágrima caída,

Faz um verso cintilar.


No papel ou na lembrança,

Ela mora e faz morada,

Feito amor que não se cansa,

De chegar na madrugada,

E no peito de quem sente,

Nunca é voz abandonada.


É ternura que embala

O sonhar do coração,

É saudade que consola,

Quando vem a solidão,

É jardim que se refaz

Primavera da canção.


Poesia é sentimento

Que não cabe explicação,

É o sopro do divino

Transformado em criação,

É o toque da esperança

Caneta de inspiração.


Ela canta o que é belo,

Mas também o que é dor,

Faz da vida um enredo

De coragem e de amor,

E no verso deixa traço

De um eterno sonhador.


É a estrela que não morre,

Mesmo em noite tão escura,

É consolo do aflito,

É remédio, é doçura,

É farol que guia a alma

Pelos mares da ternura.


É saudade que sorri,

Mesmo em pranto e despedida,

É canção que não se apaga,

Mesmo após a voz contida,

Pois no peito do poeta

Nunca morre a própria vida.


Cada verso é um alento,

Cada rima é oração,

É a fé que se faz canto

Dentro do meu coração,

Pois quem nasce pra versar

Já carrega essa missão.


E assim sigo o meu caminho,

Entre sonhos e lembrança,

Com a pena e com o tempo,

Vou bordando a esperança,

Pois viver é poesia

Um poema de mudança.


Poesia é minha guia,

Minha estrada, meu luar,

É o vento que me inspira,

Quando quero descansar,

É abrigo e é refúgio,

Onde a alma vai morar.


Nela encontro o infinito,

O começo e o final,

É espelho do divino,

Com encanto universal,

É sorriso e é consolo,

Remédio espiritual.


É por ela que respiro,

Que levanto e que confio,

Mesmo quando o mundo é árido,

Ela é fonte, é o meu rio,

Que renova em cada verso

O meu sonho, o meu estio.


E se um dia o tempo ousar

Levar todo o meu sofrer,

Que me reste a poesia,

Pois com ela vou viver,

Entre rimas e esperanças,

Aprendendo a renascer.


E assim findo esta jornada,

Com ternura e emoção,

Agradeço ao Criador

Por me dar inspiração,

Pois quem vive a poesia,

Vive em plena comunhão.

quarta-feira, 15 de outubro de 2025

Ao Querido Professor 

 


Literatura de Cordel 


Esmeralda Costa



Com respeito e emoção,

Eu começo esta homenagem,

Ao mestre que nos conduz,

Na estrada da aprendizagem,

Que ensina com paciência,

Faz da vida uma viagem.


Professor é mensageiro,

Da luz que a mente clareia,

Faz do saber um jardim,

Que o tempo todo semeia,

Ele planta em cada aluno,

A fé que o mundo permeia.


Já desde o berço da história,

Seu ofício é nobre e santo,

Fez do giz a sua espada,

Da lousa um eterno manto,

E da escola fez morada,

Pra ensinar amor e encanto.


Com esforço e vocação,

Sustenta a sabedoria,

Lapidando alma e razão,

Com garra e com maestria,

É mestre e também artista,

No palco da academia.


Nem sempre é valorizado,

Mas nunca perde a esperança,

Segue firme na missão,

Cultivando a confiança,

Pois sabe que seu trabalho,

Constrói sonhos e bonança.


Ensina o valor da vida,

Da justiça e da verdade,

Mostra o peso da mentira,

E a força da liberdade,

Forma o ser para o futuro,

Com fé, com dignidade.


No suor do seu ofício,

Há renúncia e há paixão,

Cada aula é um pedaço,

Do seu nobre coração,

Que se doa inteiramente,

Sem buscar compensação.


Professor semeador,

De virtudes e bondade,

Que cultiva em cada aluno,

Uma flor de humanidade,

E faz do saber um rio,

Que leva paz e amizade.


Foi no século passado,

Que a data se originou,

Em terra Catarinense,

Um marco então se firmou,

Lei estadual primeira,

Que Antonieta criou.


Antonieta de Barros,

Mulher negra, destemida,

Professora e jornalista,

De coragem bem provida,

Fez da palavra um clarão,

Que iluminou nossa vida.


A primeira negra eleita,

Deputada no Brasil,

Ergueu a voz firme e doce,

Com saber forte e sutil,

Defendeu a educação,

Como valor tão varonil.


Mil novecentos e oito,

Santa Catarina então,

Projeto foi sancionado,

Com orgulho e gratidão,

E foi José Boabaid,

Que assinou de coração.


Assim no quinze de outubro,

O feito se consagrou,

E só quinze anos mais tarde,

Brasil inteiro abraçou,

Quando João Goulart, o chefe,

A lei federal firmou.


A data homenageou,

Forte decreto de outrora,

Quando o imperador criou,

Grandes escolas da aurora,

Foi em mil e oitocentos  

Vinte e sete sem demora.


Antonieta afirmava,

Com toda convicção:

Não há quem não reconheça,

Luz da civilização,

O inestimável serviço,

Do mestre na educação.



As palavras ecoaram,

Com força e sabedoria,

Fez-se eterna sua voz,

De luta e de poesia,

Que exaltou o professor,

Com verdade e ousadia.


Esse mestre é quem prepara

Para as demais profissões,

É dele que nasce o médico,

O juiz, os campeões,

Pois sem o dom de ensinar,

Não há realizações.


É farol que nunca apaga,

Mesmo em noite escurecida,

Transforma dor em lição,

E queda em nova subida,

É ponte que liga sonhos,

Ao porto da própria vida.


Com o livro e o caderno,

Faz revolução serena,

Vence o medo e a ignorância,

Com a palavra tão plena,

Que esse mundo só progride,

Por ter professor na cena.


No olhos de um estudante,

Tem traços do seu amor,

Cada sorriso que nasce,

Motiva o bom professor,

Que ensinou com paciência,

O sentido do valor.


Ser mestre é ser jardineiro,

De mentes em flor se abrindo,

É ver brotar no futuro,

O saber se expandindo,

E sentir no coração,

O tempo novo sorrindo.


Por isso, neste cordel,

Deixo singela homenagem,

Ao mestre de todo dia,

Que cumpre a nobre mensagem,

De transformar cada mente,

Num farol de aprendizagem.


Que o Brasil  o reconheça,

Com respeito e com amor,

Que o futuro desta pátria,

Depende do professor,

Que ensina e também liberta,

Com saber libertador.


E que Antonieta inspire,

Cada sala e coração,

Sua luta ecoa viva,

Na firme e eterna lição,

De que ensinar é plantar,

Esperança em cada ação.

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